Mostrando postagens com marcador Homilética. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Homilética. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Evangelho 34º Domingo Tempo Comum: Cristo Rei

Evangelho do domingo, 23 de novembro de 2008

21/11/2008

«Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à sua direita, e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham vocês, que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar’. Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?’ Então o Rei lhes responderá: ‘Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram.’

Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastem-se de mim, malditos. Vão para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque eu estava com fome, e vocês não me deram de comer; eu estava com sede, e não me deram de beber; eu era estrangeiro, e vocês não me receberam em casa; eu estava sem roupa, e não me vestiram; eu estava doente e na prisão, e vocês não me foram visitar’. Também estes responderão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou sem roupa, doente ou preso, e não te servimos?’ Então o Rei responderá a esses: ‘Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês não fizeram isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeram’. Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna.»

Durante o Ano Litúrgico, celebrado nesse 2008, o tema da VIDA, em especial da vida humana, visitou várias vezes as assembléias litúrgicas. Nesse último Domingo, fazendo ponte com o Domingo anterior (33DTC), nossa reflexão considera a centralidade da vida humana na pessoa do outro, especialmente a vida dos mais necessitados. No dia do julgamento final, o critério decisivo será o modo como tratamos a vida do outro.


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Bíblia e Caridade

29/10/2008

Há 40 anos um grupo de leigos se reúne diariamente para meditar a palavra de Deus e buscar vivê-la especialmente com os mais necessitados. Formam a Comunidade de Santo Egídio que atualmente se encontra presente em mais de 70 países do mundo e seu fundador, Andrea Riccardi, participou no Sínodo dos Bispos e comenta a importância de comunicar a Palavra de Deus.

Oração, comunicação do Evangelho, amizade com os pobres e serviço à paz são alguns dos pilares dessa associação de leigos da Igreja Católica que escuta atentamente a Palavra de Deus.


“A Igreja fala, nasce e comunica a Palavra de Deus, desejo que este Sínodo seja o início de uma nova estação na qual todos nos tornemos discípulos da palavra de Deus e a comuniquemos de boca em boca”.

“A Bíblia ilumina o rosto dos pobres e nos recorda que estar próximo a eles é estar próximo de Jesus”.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

SÍNODO DOS BISPOS IX: Alternativas para a Saudação Final


Esta notícia tem importância direta a nós diáconos permanentes, pois a saudação final é proferida pela diácono ao final da celebração da Santa Missa:

Santa Sé aprova 3 alternativas ao “Ite, missa est”
 

No dia 14 de outubro, durante o Sínodo dos Bispos, a Santa Sé aprovou três propostas alternativas ao “Ite, missa est” (Ide em paz), a saudação final da missa. Essas mudanças foram notificadas  pelo cardeal Francis Arinze, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.


As alternativas foram aprovadas pelo Papa bento XVI em resposta a uma petição apresentada pelo Sínodo de 2005 sobre a Eucaristia, no qual se haviam pedido fórmulas que expressassem o caráter missionário que deve acompanhar a celebração eucarística.
Segundo ilustrou o cardeal nigeriano, o Papa pediu que se apresentassem sugestões. A Congregação vaticana recebeu 72, a partir das quais redigiu 9. O Papa escolheu 3 delas. As 3 fórmulas alternativas aparecem na terceira edição “typica” (de referência) emendada do Missal Romano, impressa na semana passada, informou o cardeal.


As 3 fórmulas são:
- “Ite ad Evangelium Domini nuntiandum” (Podeis ir anunciar o Evangelho do Senhor).
- “Ite in pace, glorificando vita vestra Dominum” (Podeis ir em paz, glorificando o Senhor com vossa vida).
- “Ite in pace” (recorda a fórmula existente, “Ide em paz”). No tempo pascal se acrescenta “alleluia, alleluia” (aleluia, aleluia, aleluia).
A fórmula latina “Ite missa est” não foi removida.


O próprio cardeal Arinze explicou que o Compêndio Eucarístico, que havia sido pedido pelo Sínodo da Eucaristia, está quase terminado.
É um livro que definirá a doutrina sobre a Eucaristia, a bênção, a hora santa eucarística, a adoração, as orações antes e depois da missa, etc.


O cardeal Arinze disse que a Santa Sé, por indicação do Papa e a partir da petição do sínodo anterior, também está estudando o momento mais adequado para colocar na celebração eucarística a saudação da paz.


O Santo Padre disse que é preciso fazer uma opção: ou antes do “Agnus Dei” (Cordeiro de Deus) ou depois da oração dos fiéis. Cada conferência episcopal deve responder antes do final do mês de outubro. A Congregação dará 3 semanas de prazo para quem apresentar propostas com atraso. Depois, as propostas serão expostas ao Santo Padre e ele decidirá depois.


O cardeal disse, por último, que a sua Congregação está preparando um livro com material para homilias temáticas, com o objetivo de facilitar a pregação dos sacerdotes do mundo inteiro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

SÍNODO DOS BISPOS 2008 - III

O Sínodo sobre a Palava em cifras
06/10/2008
A Igreja católica dos cinco continentes está representada nas quatrocentas pessoas que participam do Sínodo dos Bispos que se realiza de 5 a 26 de outubro sobre o tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”.
A Igreja católica dos cinco continentes está representada nas quatrocentas pessoas que participam do Sínodo dos Bispos que se realiza de 5 a 26 de outubro sobre o tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”.
A XII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo congrega 253 padres sinodais, representantes de 13 igrejas orientais católicas sui iuris, de 113 diferentes conferências episcopais, de 25 organismos da Cúria romana e das Uniões dos Superiores Gerais. Segundo revelou em um encontro com os jornalistas o arcebispo Nikola Eterovic, secretário geral do Sínodo dos Bispos, 51 padres sinodais são provenientes da África, 62 da América, 41 da Ásia, 90 da Europa e 9 da Oceania. Cerca de 72,3% dos padres sinodais são eleitos, 15% faz parte em virtude do próprio cargo, e 12,6% são nomeados pelo Santo Padre.
Entre os 253 padres sinodais se encontram 8 patriarcas, 52 cardeais, dois arcebispos maiores, 79 arcebispos e 130 bispos. A idade média dos padres sinodais se aproxima dos 63 anos e entre os peritos se encontram seis mulheres, enquanto entre os ouvintes o número é de 19, recorde histórico.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Padre, deixa a Liturgia falar!

Este artigo foi retirado da Ficha 60, do curso de Liturgia em Mutirão II, divulgado no site da CNBB. Apesar do texto referir-se à Santa Missa, acredito que muitos diáconos poderiam refletir e adequar estas observações nas Celebrações da Palavra. Mesmo quando celebramos batizados ou quando testemunhamos  matrimônios, somos tentados a falar além do próprio rito. 

Ione Buyst

Há alguns meses atrás, participei de uma missa e fiquei agradavelmente surpresa com a maneira de o padre presidir, concentrando-se em seu papel de presidência, sem interromper a toda hora a ação ritual com explicações ou introduções, 'homiliazinhas', brincadeiras, ou reclamações, como tantas vezes se vê por aí, banalizando a liturgia, impedindo o mergulho no mistério celebrado. Depois da missa, fui agradecer pelo momento espiritual simples e profundo que nos havia proporcionado. E ele respondeu: "Aprendi com uma comunidade religiosa da qual fui capelão. Um certo dia, me chamaram e disseram: Padre, não fale. Deixe a liturgia falar!"

Deixe a liturgia falar! Entre no seu ritmo ritual, dialogal! Não interrompa o diálogo da Aliança entre a comunidade e o seu Senhor. Sinta-se incorporado na assembléia, como parte dela, em toda simplicidade e autenticidade, objetivamente, tranqüilamente, sem autoritarismo e sem se preocupar em 'agradar' ou 'motivar' a 'platéia' e ser aceita por ela. Assuma o papel da presidência de uma comunidade, orante, ouvinte, cantante..., celebrando com ela e não para a mesma. Deixe que a pessoa do Cristo transpareça por você, lembrando as palavras de João Batista: É necessário que ele cresça e que eu diminua... (Cf. Jo 3,30). O momento é sagrado! A ação é decisiva para nossa vida. Estamos em contato com a seiva de nossas raízes, estamos sorvendo o sentido de nossa vida e de nossa morte, de nossos amores e desamores, de nossos empenhos, êxitos e fracassos... Estamos diante do Senhor, para sermos transformados/as 'pascalmente' por seu Espírito.

Acredite profundamente naquilo que está realizando. Aprenda de cor os pequenos diálogos que fará com a assembléia, como a saudação inicial, a introdução ao evangelho, o diálogo inicial do prefácio, o convite à oração do pai-nosso, a apresentação do pão e do vinho eucaristizados, a bênção final... Não leia orações; mas ore, de verdade, ainda que use as palavras prescritas no missal. Não copie sua homilia da internet ou de algum subsídio, mas tome seu tempo para debruçar-se sobre as leituras bíblicas, procurando qual a Palavra viva do Senhor hoje para esta comunidade (da qual você faz parte!); não faça da homilia um discurso, mas uma conversa familiar em tom pessoal.

Não corra durante a oração eucarística, recitando-a de uma forma impessoal, numa corrida desenfreada a 'cento e vinte por hora', como se não tivesse valor nenhum, como se não fosse um diálogo com o Pai! Não destaque de repente as palavras da narrativa da última ceia, mudando o ritmo e o tom de voz, como se somente estas palavras valessem a pena a serem proclamadas e ouvidas. E lembre-se de que não se trata de uma fala dirigida à assembléia, mas ao Pai, lembrando o que seu querido Filho nos mandou fazer!

Não descuide dos preciosos silêncios previstos no decorrer da ação litúrgica, como um dos elementos essenciais para podermos descer até o fundo do coração e ouvir aí a voz do Pai. Deixe-se 'contaminar' pela fé e o fervor da comunidade. Sintonize com o Sopro de Deus, o Sopro de Jesus, o Espírito Santo, que ora e canta em você e em toda a comunidade. Ele nos une, a todos e todas, num só corpo e num só Espírito.

Tudo o que foi dito até agora certamente vale também para os outros ministérios litúrgicos: por favor, não interrompam a ação litúrgica com comandos e explicações; deixem a liturgia falar por si.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Mulheres no Sínodo da Palavra

Vinte e cinco mulheres participarão do próximo Sínodo dos bispos
sobre a Bíblia, que se realizará em outubro em Roma. Destas, seis serão especialistas e 19 auditoras. Com essas nomeações, este sínodo, que tem por tema "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, terá a mais alta participação feminina na história desta instituição eclesial.

Entre as seis especialistas, a maior parte delas é professora de Sagrada Escritura, há duas italianas, uma norte-americana, uma espanhola, uma francesa e uma nigeriana. Entre elas está a religiosa americana Sara Butler e as professoras da Pontifícia Universidade Gregoriana Núria Calduch-Benages e Bruna Costacurta, além da monja trapense Germana Strola, do mosteiro de Vitorchiano (Itália), Mary Jerome Obiorah, membro das Irmãs do Imaculado Coração de Maria e Marguerite Lena, da comunidade de vida consagrada "São Francisco Xavier".

Entre as auditoras figuram Maria Voce, atual presidenta dos focolares e Hanna-Barbara Gerl-Falkowitz, entre outras, muitas delas superioras gerais.


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Sínodo dos Bispos: A Palavra de Deus

Palavra santa do Senhor, eu guardarei no coração

Aproxima-se a Assembléia do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus. Bispos do mundo inteiro, convocados pelo Papa, estarão refletindo em Roma de 5 a 26 de outubro sobre “a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. O tema é da máxima importância, uma vez que a Igreja vive da Palavra de Deus, da mesma forma que vive da Eucaristia; sua razão de existir e sua primeira missão é o anúncio da Boa Nova da salvação “a toda criatura”.


Setembro, no Brasil, é o “mês da Bíblia” e a Igreja promove especialmente a pastoral bíblica, convidando todos a lerem cada dia a Sagrada Escritura, a rezarem com ela e a buscarem um conhecimento maior da Palavra do Senhor. Aconselho, pois, a ler algo daquilo que a Igreja diz sobre sua fé na Sagrada Escritura: a Constituição Dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, sobre a Palavra de Deus, ou o capítulo II do Catecismo da Igreja Católica (“Deus vem ao encontro do homem”).


Neste Ano Paulino, aconselho especialmente a leitura dos Atos dos Apóstolos, a partir do capítulo 9°, sobre a conversão e a atividade missionária do grande São Paulo; evidentemente, depois ler as Cartas Paulinas, passando este ano em companhia de Paulo. Estou certo que será de grande proveito. A CNBB orienta especialmente para a leitura da 2ª. Carta aos Coríntios; publicou até um subsídio para a leitura, a oração e o estudo do texto nos círculos bíblicos. Pode ser encontrado nas livrarias católicas.


Ser cristão e católico é o mesmo que ser discípulo de Jesus Cristo. Mas como pode alguém ser discípulo, se desconhece Jesus Cristo ou nunca teve na vida um encontro pessoal com ele? A Igreja recordou, na Conferência de Aparecida, que o encontro com Cristo se dá de diversas maneiras. Um dos “lugares” privilegiados para esse encontro é a leitura e acolhida da Palavra de Deus, com fé. Encontramos Jesus na Escritura, lida com fé na Igreja e também em particular. O mesmo Espírito de Deus que inspirou os escritos sagrados também age no coração de quem os lê e acolhe com fé verdadeira e com o desejo sincero de “ouvir Deus”.


Se queremos renovar a fé e nossa vida cristã, precisamos tornar-nos discípulos, que ouvem, acolhem e aprendem com a Palavra de Deus, deixando-nos orientar por ela. Desconhecer a Sagrada Escritura seria desconhecer a Cristo, caminho, verdade e vida; e desconhecer a Cristo, significa viver ainda longe da salvação. Como conseqüência, seria também renunciar à missão de anunciá-lo aos outros e ao mundo inteiro.


Por isso, o Papa Bento XVI convidou a Igreja, em Aparecida: “ao iniciar a nova etapa missionária que a Igreja da América Latina e do Caribe se propõe a empreender, a partir desta Conferência em Aparecida, é condição indispensável o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus, educando o povo na leitura e na meditação da Palavra: que ela se converta em seu alimento para que, por experiência própria, veja que as palavras de Jesus são espírito e vida (cf Jo 6,63). Do contrário, como vão anunciar uma mensagem cujo conteúdo e espírito não conhecem profundamente? É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda a nossa vida na rocha da Palavra de Deus” (cf. Doc. Aparecida n° 247).


Os cristãos, discípulos de Jesus, precisam alimentar-se diariamente com o “pão da Palavra” e compartilhar esse pão com o mundo faminto e sedento da Palavra de Deus (cf Am 8,11). Nossas comunidades eclesiais e nossas famílias precisam ser lugares onde a Palavra do Senhor tem um lugar de destaque. Os pais, que têm filhos pequenos ou na idade da catequese, poderão iniciar os filhos no amor à Palavra santa do Senhor. Nossas liturgias sejam sempre momentos de bela proclamação e alegre acolhida da Palavra da salvação. E o tesouro da Palavra divina confiado à Igreja encha cada vez mais de bênção o coração das pessoas.

Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de S.Paulo

1/09/2008

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Evangelho do 22º DTC - A -

Evangelho do Domingo 31 de agosto de 2008


"Afasta-te de mim, Satanás. Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não tens senso para as coisas de Deus, mas para as dos homens".

Desde então, Jesus começou a mostrar a seus discípulos que era necessário ele ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e ao terceiro dia ressuscitar. Pedro levou-o para um lado e se pôs a repreendê-lo: "Deus não permita, Senhor, que isso aconteça". Mas Jesus voltou-se para Pedro e disse: "Afasta-te de mim, Satanás. Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não tens senso para as coisas de Deus, mas para as dos homens".

Então Jesus disse aos discípulos: "Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por amor de mim, há de encontrá-la. O que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, se vier a se prejudicar? Ou, o que se pode dar em troca da própria vida? Porque o Filho do homem há de vir na glória do Pai, com os anjos, e então dará a cada um conforme as suas obras


Fonte: H2O News


Reflexões Dominicais 22º DTC - A


Neste Domingo, dia 31 de agosto de 2008, encontramos as seguintes textos para a reflexão:


1ª leitura: Jr 20,7-9 = A Palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha

Salmo Responsorial: Sl 62 = A minh’alma tem sede de vós como a terra sedenta

2ª leitura: Rm 12,1-2 = Oferecei-vos em sacrifício vivo

Evangelho: Mt 16,21-27 = Se alguém quer me seguir renuncie a si mesmo

Recordamos hoje a vocação daquele que entende a mensagem de Cristo e, além de vivencia-la, procura levar essa boa notícia aos irmãos da comunidade. O Catequista tem a sublime missão de levar às pessoas a verdadeira razão de nossa existência: viver uma vida plena e digna, amando e respeitando o próximo. Neste domingo, os textos nos levam a refletir que não podemos nos conformar com a mentalidade do mundo, mas, sim assumir a mentalidade do Evangelho.

O apóstolo Paulo nos fornece o perfil do pregador e catequista. Aquele que inserido no mundo age de forma incansável no testemunho e no ensinamento das atitudes vivenciadas pelo Cristo.

Pedro aparece como personagem no Evangelho de Mateus. Enquanto na celebração do último domingo ele era proclamado solenemente “pedra” sobre a qual Jesus iria construir sua Igreja; agora é rejeitado como “pedra de tropeço”. Pedro apresenta-se com uma mentalidade tão mundana a ponto de interferir no projeto de vida de Jesus, de realizar a vontade do Pai. Encontramos um confronto claro entre dois projetos: o de Pedro, que pensava como o mundo, e o de Jesus, que pensava como o Pai. Jesus expulsa Pedro de sua frente por querer sobrepor a mentalidade do mundo à vontade de Deus, impossibilitando-o de assumir a Cruz, símbolo da fidelidade ao projeto divino. Para Pedro e para seus discípulos, Jesus deixa claro que o projeto do Reino é diferente da mentalidade do mundo e que o confronto entre as duas mentalidades é inevitável.

Hoje olhamos para os catequistas de nossa comunidade. Colocamos a imagem de Paulo diante de nós, porque ele é um exemplo de catequista. A prática da catequese acontece dentro desse contexto de confronto e de provocações com a mentalidade do Evangelho. Nós temos famílias que mandam suas crianças e adolescentes para a catequese, mas em casa desdizem e até desdenham tudo o que as crianças e adolescentes aprendem na catequese. Graças a Deus, temos também tantas famílias que favorecem e solidificam a catequese; família e Igreja trabalhando juntas para criar a mentalidade do Evangelho nas crianças e adolescentes.


Não é fácil ser catequista, nem dentro de casa (porque os pais são os primeiros catequistas) e nem na comunidade. Observamos, com tristeza, que existe uma espécie de falta de compromisso com o projeto do Evangelho em muitas famílias. Na missa de abertura da catequese, por exemplo, pais e filhos estão na igreja, mas são poucos os que educam seu filhos na fé pelo exemplo, tanto em vir celebrar com seus eles a fé, como em viver de acordo com a mentalidade do Evangelho. Apesar de todas as adversidades, nossos catequistas continuam anunciando e ajudando nossas crianças e jovens a caminhar nos caminhos da Boa Nova de Cristo.


sábado, 28 de junho de 2008

Evangelho São Pedro

O Evangelho do Domingo 29 de junho de 2008

Chegando à região de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: "Quem as pessoas dizem que é o Filho do homem?" Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas". Então ele perguntou-lhes: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Simão Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo". Em resposta, Jesus disse: "Feliz és tu, Simão filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue quem te revelou isso, mas o Pai que está nos céus. E eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e as portas do inferno nunca levarão vantagem sobre ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus, e tudo que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo que desligares na terra será desligado nos céus".

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Podcast Católico - Evangelizar é preciso!

Podcast Católico
13/06/2008
Os novos meios de comunicação oferecem grandes oportunidades à Igreja para produzir com facilidade programas de rádio e televisão e distribuí-los a todo o mundo através da Internet.

Assim o entende o Padre Roderick Vonhögen, pioneiro de podcasts católicos que participou recentemente num congresso na Universidade Pontifícia da Santa Cruz em Roma sobre comunicação na Igreja.

“Creio que atualmente temos uma grande oportunidade para que a Igreja utilize os novos meios podcasting para alcançar a juventude que não lê os nossos jornais católicos nem vê os programas católicos na televisão. Isto é o que tem feito a SQPN, Star Quest Production Network”.

“Em www.sqpn.com pode-se encontrar cerca de 30 ou 40 programas sobre cultura moderna; já alcançamos 250.000 jovens metade dos quais não são católicos, por isso temos que desenvolvê-lo como Igreja Católica.”

Este grande fenômeno de comunicação católica começou quando o Padre Roderick, que vive na Holanda, estava em Roma e João Paulo II adoeceu.

“Comecei o podcast precisamente aqui no Vaticano quando vim assistir a uma conferência e a saúde de João Paulo II piorou. Registrei o que sucedia, entrevistei algumas pessoas e coloquei-o na Internet em formato áudio mp3. No dia seguinte tinha sido descarregado por centenas de pessoas e no dia depois por milhares; e pensei, wow, não tenho tanta gente na Igreja, vamos usar este meio para alcançar milhares e milhares de pessoas que querem saber mais sobre a fé Católica.”


Fonte: site H2O News

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Reflexão: 9º Domingo Tempo Comum A




O Evangelho do domingo 1º de junho de 2008

Evangelho: Mt 7,21-27 = A casa construída sobre a rocha e a casa sobre a areia.
"Portanto, todo aquele que ouve estas minhas palavras, e as põe em prática, será como um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha".
Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus mas quem fizer a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome, não expulsamos demônios em teu nome, não fizemos muitos milagres em teu nome?’ Então lhes declararei: Nunca vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais o mal . Portanto, todo aquele que ouve estas minhas palavras, e as põe em prática, será como um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchurradas, sopraram os ventos e deram contra a casa, mas ela não desabou. Estava fundada na rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será como um homem tolo que construiu sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enchurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela desabou. E grande foi sua ruína".
A reflexão ajuda a compreender que religião é um jeito de viver, que depende da “opção fundamental” pelo Evangelho. Depende de uma escolha e de uma decisão: viver fundamentado no Evangelho; aceitar Jesus como Mestre da vida; fazer-se discípulo de Jesus. O discípulo vive na justiça, na fraternidade, no respeito para com todos, no esforço para fazer um mundo mais humano, cultiva os valores da família, não apela para a violência, é construtor da paz... É alguém que pensa com a cabeça de Jesus, com as orientações do Evangelho. O jovem que se faz discípulo de Jesus não se mete em drogas, por exemplo. O pai e a mãe de família que fazem do Evangelho o seu modo de pensar, partilham o amor, o perdão, as preocupações e as alegrias. Quem tem responsabilidades públicas e pensa como o Evangelho, busca o bem de todos e não o próprio interesse. Religião não é dizer “Senhor, Senhor... mas fazer a vontade do Pai”, diz Jesus.




É PRECISO PREGAR COM MAIS ARDOR MISSIONÁRIO!

Cadê os cristãos neste mundo?
Dom Anuar Battisti - Arcebispo Metropolitano de Maringá - PR

Diante de certas estatísticas, como por exemplo, “O feriadão de Corpus Christi deixou um saldo trágico de 23 mortos e 290 feridos nas estradas que cortam o Paraná. Foram 326 acidentes, causados em sua maioria pela imprudência dos motoristas”(O Diário de 27.05.2008, pg A3). Isso é um escândalo que clama aos céus. É assustador o número de assassinatos principalmente de jovens, o mundo da droga e do narcotráfico que diabolicamente toma proporções incalculáveis; a insegurança, diante do ir e vir, seja para o trabalho, ao templo, ao merecido lazer; a proliferação cada vez maior do ateísmo prático; os pobres que aumentam a cada dia e os poucos cada vez mais ricos; enfim, uma ladainha de situações que contradizem totalmente os princípios do Evangelho.

Eu me pergunto: cadê os cristãos? Esses que morreram são todos pagãos?

Somos hoje a maioria absoluta de cristãos; esperamos que pelos menos a metade freqüente as suas comunidades religiosas, que aos domingos freqüentem os templos para orar e refletir a Palavra de Deus. Ao mesmo tempo, penso nos centenas de presbíteros, pastores, missionários que, quase diariamente falam, instruindo, exortando, mostrando o caminho com a Sagrada Escritura na mão, com o catecismo da doutrina sempre aberto. As centenas e milhares de pregações pelos meios de comunicação social, desde o rádio, a TV, revistas, jornais, sites na internet. Isso sem contar as intermináveis campanhas do poder público.

Eu me pergunto para quem estamos falando? Para quem estamos dirigindo os milhares de discursos sobre a Palavra de Deus? Porque ainda não alcançamos os ouvidos dos marginais, dos violentos, dos que morrem e matam sem dó e piedade? Estamos falando para as paredes, ou nossa linguagem, a mensagem que estamos transmitindo, está numa freqüência e o povo está noutra? Porque aquele fiel participante, na vida prática não paga o salário justo, engana e corrompe em benefício próprio? Não é por falta de quem fala, e nem de quem escuta. Está faltando o quê? Aonde nós pregadores estamos errando? Aonde o povo de Deus, cristãos, discípulos de Jesus, vivem o que escutam?

Penso que não se trata de puxar a brasa para o seu assado e dizer aqui está tudo bem e que o problema é dos outros! Penso que nesta hora histórica de nossa caminhada precisamos rever na prática cotidiana, a nossa prática. No testemunho da fé que professamos falta vigor, entusiasmo, coragem de quem acredita de fato. A nossa vivência na fé ainda é vivência formal, ritualista, cumprir tabela para o desencargo de consciência por medo de Deus. Não posso afirmar que não exista testemunho e nem obras boas que provem a nossa fé. Fica sempre a pergunta: Como tocar o coração? Como fazer com que a mensagem de salvação entre na vida do dia a dia de nossos cristãos, com todas as suas conseqüências?

Não seria a hora de nos unirmos numa só voz, cada um no seu caminho de fé, para falar a mesma linguagem. Sintonizar na mesma freqüência sonora dos jovens e adolescentes e provocar uma verdadeira comoção evangélica no coração de nossas Igrejas? Certamente nós temos o melhor e mais valioso conteúdo para preencher qualquer coração vazio, do homem e da mulher, do passado, do presente e do futuro. Enquanto a nossa pregação não despertar um verdadeiro discipulado de Jesus, discípulos e missionários apaixonados pelo Mestre, Salvador e Redentor, estamos jogando as pérolas para ser pisada no chão manchado pelo sangue da violência e da falta de paz. Cadê os cristãos apaixonados por Cristo a fim de fermentar essa massa e dar sabor da paz e de fraternidade a este mundo em que habitamos?
“Tende coragem, eu venci o mundo”(Jo 16,33)

Fonte: site CNBB - maio 2008

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Evangelho: Ascensão do Senhor A

"Os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Logo que o viram prostraram-se; alguns, porém, duvidaram. Então Jesus se aproximou e lhes disse: "Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei. Eis que eu estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo".
Mateus 28, 16-20

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Ascensão do Senhor: Alegria e Esperança

ASCENSÃO DO SENHOR - A
4 de maio de 2008

LEITURAS
1ª leitura: At 1,1-11 = Jesus foi levado aos céus, à vista deles
Salmo Responsorial: Sl 46 = Por entre aclamações Deus se elevou
2ª leitura: Ef 1,17-23 = E o fez sentar-se à sua direita nos céus
Evangelho: Mt 28,16-20 = Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra

Breve Comentário
A Ascensão do Senhor é uma festa de alegria e de esperança. É uma celebração que reconhece o senhorio que Deus concede a seu Filho Jesus, colocando-o acima de toda autoridade (2ª leitura). É da autoridade vinda de Deus, que destacaremos a missão que Jesus confere aos seus apóstolos, conseqüência imediata da fé na vida de quem se faz discípulo do Evangelho.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Santo do Dia: São Francisco de Sales

24 de Janeiro
São Francisco de Sales - bispo e doutor da Igreja
"Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi" Jo 15,16a
A festa do Santo de hoje é-nos muito querida. Trata-se de São Francisco de Sales. Esse santo oferece-nos a mais perfeita lição do quanto se pode conseguir pela bondade e pela doçura. Foi Bispo de Genebra, na Suíça, tendo vivido entre 1567 e 1622. Viu-se logo cercado pelos calvinistas que, naquele tempo, eram tomados por uma grande aversão contra tudo o que fosse católico. Ao invés de brigar e de se entregar à oposição, S. Francisco de Sales preferiu seguir o caminho de um humanismo suave. Fez valer esta máxima: "Mais moscas se caçam com um pingo de mel do que com um barril de vinagre".
Mas não é só isso que nos ensina o santo que lembramos nesta data. Ele passou a vida escrevendo. E hoje, é patrono dos jornalistas. Seus dois livros - "Tratado do Amor de Deus" e "Introdução à Vida Devota" lêem-se em nossos dias com a mesma facilidade e interesse como no tempo em que foram escritos. Fundou a Ordem da Visitação e foi capaz de interpretar o que Deus deseja e o que está no íntimo de cada coração humano.
Ao lembrarmos a figura dos santos de hoje sentimo-nos convidados a integrar o mundo de Deus e o mundo dos homens num único grande amor: Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Evangelho de 24 de janeiro e Reflexão

Evangelho segundo S. Marcos 3,7-12.

Jesus retirou-se para o mar com os discípulos. Seguiu-o uma imensa multidão vinda da Galileia. E da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, de além-Jordão e das cercanias de Tiro e de Sídon, uma grande multidão veio ter com Ele, ao ouvir dizer o que Ele fazia. E disse aos discípulos que lhe aprontassem um barco, a fim de não ser molestado pela multidão, pois tinha curado muita gente e, por isso, os que sofriam de enfermidades caíam sobre Ele para lhe tocarem. Os espíritos malignos, ao vê-lo, prostravam-se diante dele e gritavam: "Tu és o Filho de Deus!" Ele, porém, proibia-lhes severamente que o dessem a conhecer.

Comentário ao Evangelho do dia feito por João Cassiano (c. 360-435), fundador de convento em Marselha Conferência 13.

“Da Galileia, da Judeia, da Idumeia, de Tiro e de Sídon..., vinde a mim, todos "Deus não criou o homem para ele se perder, mas para viver eternamente; e este desígnio permanece imutável. […] Ele “deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade” (1Tim 2, 4). É vontade do vosso Pai que está nos céus, diz Jesus, “que não se perca um só destes pequeninos” (Mt 18, 14). E também está escrito: “Deus não quer que pereça uma só alma” (2 Sam 4, 14); Ele difere a execução dos Seus decretos, a fim de que aquele que foi rejeitado não se perca para sempre. Deus é verdadeiro e não mente, quando garante por meio de juramento: “Por Minha vida […], não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim na sua conversão, de maneira que ele tenha a vida” (Ez 33, 11).
Poderá alguém então pensar, sem incorrer em enorme sacrilégio, que Ele não quer a salvação de todos em geral, mas apenas de alguns? Quem se perde perde-se contra a vontade de Deus, que clama sem cessar: “Convertei-vos! Afastai-vos desse mau caminho que seguis; por que persistis em querer morrer, casa de Israel?” (Ez 33, 11). E de novo insiste: “Por que persiste este povo de Jerusalém na sua obstinada rebeldia?” (Jer 8, 5) “O seu semblante é mais duro do que pedra; recusam-se a converter-se” (Jer 5, 3). A graça de Cristo está, pois, sempre à nossa disposição. Visto que quer que todos os homens se salvem, Ele chama-os a todos, sem excepção: “Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei” (Mt 11, 28).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Como ler a Bíblia!

Este artigo foi elaborado pelo Sr. Olavo de Carvalho
Publicado no Jornal do Brasil de 17 de janeiro de 2007



Quando você lê um romance ou peça de teatro, não tem como julgar a verossimilhança das situações e dos caracteres se antes não deixar que a trama o impressione e seja revivida interiormente como um sonho. Ficção é isso: um sonho acordado dirigido. Como os personagens não existem fisicamente (mesmo que porventura tenham existido historicamente no passado), você só pode encontrá-los na sua própria alma, como símbolos de possibilidades humanas que estão em você como estão em todo mundo, mas que eles encarnam de maneira mais límpida e exemplar, separada das contingências que podem tornar obscura a experiência de todos os dias. A leitura de ficção é um exercício de autoconhecimento antes de poder ser análise literária, atividade escolar ou mesmo diversão: não é divertido acompanhar uma história opaca, cujos lances não evocam as emoções correspondentes.

A mesma exigência vigora para os livros de História, com o atenuante de que em geral o historiador já processou intelectualmente os dados e nos fornece um princípio de compreensão em vez da trama bruta dos acontecimentos. Se você não apreende os atos dos personagens históricos como símbolos investidos de verossimilhança psicológica, não tem a menor condição de avaliar em seguida se são historicamente verdadeiros ou não. Um livro de História tem de ser lido primeiro como ficção, só depois como realidade.

O problema é que nem sempre as possibilidades que dormem no fundo da nossa alma nos são conhecidas -- e então não podemos reconhecê-las quando aparecem na ficção ou na História. O resultado é que a narrativa se torna opaca. Pior ainda, você pode se deixar enganar por falsas semelhanças, reduzindo os símbolos da narrativa a sinais convencionais das possibilidades já conhecidas, senão a estereótipos banais da atualidade. O reconhecimento interior não é só um exercício de memória, mas um esforço sério para ampliar a imaginação de modo que ela possa abarcar mesmo as possibilidades mais extremas e inusitadas. Você não pode fazer isso se não se dispõe a descobrir na sua alma monstros, heróis e santos que jamais suspeitaria encontrar lá.

Compreensivelmente, os monstros são mais fáceis de descobrir do que os heróis e santos. O medo, o nojo, a raiva e o desprezo são emoções corriqueiras, e eles bastam para tornar verossímil o que quer que nos pareça ser pior do que nós mesmos. Já aquilo que é nobre e elevado só transparece a quem o ama, e esse amor traz imediatamente consigo um sentimento de dever, de obrigação, como no célebre soneto de Rilke em que a perfeição de uma estátua de Apolo transcende a mera contemplação estética e convoca o observador a mudar de vida, a tornar-se melhor. A impressão humilhante de não estar à altura desse apelo produz quase automaticamente uma reação negativa -- o despeito. Negando a existência do melhor, reduzindo-o ao banal ou fazendo dele uma camuflagem enganosa do feio e do desprezível, a alma encontra um alívio momentâneo para o seu orgulho ferido, restaurando uma auto-imagem tranqüilizante à custa de encurtar miseravelmente a medida máxima das possibilidades humanas.

Se esse problema existe em qualquer livro de ficção ou de História, imaginem na Bíblia, onde o personagem central é o próprio Deus. Abrir-se ao chamado da perfeição divina é trabalho para uma vida inteira e mais uns dias, e vem entremeado de inumeráveis derrotas e humilhações -- mas sem isso você não compreenderá uma só palavra da Bíblia. Cem por cento do ateísmo militante consistem em despeito e incapacidade de leitura séria.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Presente na Festa da Imaculada Conceição

Vaticano, na Festa da Imaculada Conceição

Caros Sacerdotes, Diáconos e Catequistas,

A Congregação para o Clero, sempre atenta às necessidades atuais dos Sacerdotes, Diáconos e Catequistas no campo da formação, vem apresentar seus novos recursos de informática, como uma ajuda suplementar ao desempenho de suas tarefas ministeriais e catequéticas.

Além dos temas que, desde a Solenidade de Nossa Mãe Imaculada de 1997, habitualmente estão presentes na rede, no site “clerus.org” (www.clerus.org), resolvemos enriquecer essa biblioteca eletrônica, oferecendo-lhes assim um precioso instrumento para o estudo e a pregação. Será possível também, por e-mail, inscrever-se na base de dados da Congregação, para receber diretamente os documentos produzidos pela Santa Sé em geral e, mais especificamente, os produzidos por nossa Congregação. (http://www.clerus.org/email/email_por.html)

Mas a novidade que tenho o prazer de lhes comunicar é a abertura de um novo site na Internet: “bibliaclerus” (www.bibliaclerus.org), que traz, em formato web, um serviço disponível já há dois anos em CD-Rom, contendo o texto da Bíblia em formato multilíngüe, em hebraico, grego, latim, italiano, espanhol, inglês, francês, alemão e português, enriquecido pela interpretação – versículo a versículo – da Tradição e do Magistério, com antologias teológicas, de espiritualidade e litúrgicas. Nessa Bíblia, encontram-se também as leituras da liturgia diária, com o comentário dos Pontífices.

Os dois sites, www.clerus.org e www.bibliaclerus.org, administrados por nossa Congregação, foram gravados em CDs, já enviados a mais de 140 mil sacerdotes e diáconos dos cinco continentes, na expectativa de que um número ainda maior de pessoas possa tirar proveito do sistema de informática desta Congregação.

Ofereço-lhes de todo o coração este humilde serviço. Com o pedido à Virgem Imaculada de frutos abundantes em seu serviço ministerial e catequético, recebam também o afeto daquele que sempre os lembra e os abençoa no Senhor.

Cláudio Card. Hummes
Prefeito

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Ascensão do Senhor!

Neste domingo dia 20, a liturgia nos apresenta um dos mais significativos e belos momentos da vida de Cristo: seu afastamento de nosso meio!
Parece incoerente, mas seu afastamento humano, permite-nos entender a mensagem de como devemos proceder para sermos verdadeiros discípulos e discípulas de Jesus. Para melhor refletirmos, sugiro a leitura da pregação do Pe Raniero Cantalamessa sobre a Ascensão de Jesus.

Se não queremos que a Ascensão pareça mais um melancólico «adeus» que uma verdadeira festa, é necessário compreender a diferença radical que existe entre um desaparecimento e uma partida. Com a Ascensão, Jesus não partiu, não se «ausentou», só desapareceu da vista. Quem parte já não está; quem desaparece pode estar ainda ali, a dois passos, só que algo impede de vê-lo. No momento da ascensão, Jesus desaparece, sim, da vista dos apóstolos, mas para estar presente de outra forma, mais íntima, não fora, mas dentro deles. Acontece como na Eucaristia: enquanto a hóstia está fora de nós, nós a vemos, nós a adoramos; quando a recebemos, já não a vemos, desapareceu, mas para estar dentro de nós. Inaugurou-se uma presença nova e mais forte.

Mas surge uma objeção. Se Jesus já não está visível, como os homens farão para saber de sua presença? A resposta é: Ele quer tornar-se visível através de seus discípulos! Tanto no Evangelho como nos Atos dos Apóstolos, o evangelista Lucas associa estreitamente a Ascensão ao tema do testemunho: «Vós sois testemunhas dessas coisas» (Lc 24, 48). Esse «vós» assinala em primeiro lugar os apóstolos que estiveram com Jesus. Depois dos apóstolos, este testemunho, por assim dizer «oficial», isto é, ligado ao ofício, passa a seus sucessores, os bispos e os sacerdotes. Mas aquele «vós» se refere também a todos os batizados e aos crentes em Cristo. «Cada leigo -- diz um documento do Concílio -- deve ser ante o mundo testemunha da ressurreição e da vida do Senhor Jesus, e sinal do Deus vivo» (Lumen gentium, 38).

Tornou-se célebre a afirmação de Paulo VI: «Hoje há uma maior necessidade de testemunhas do que de mestres». É relativamente fácil ser mestre, bastante menos ser testemunha. De fato, o mundo está cheio de mestres, verdadeiros ou falsos, mas escasso de testemunhas. Entre os dois papéis existe a mesma diferença que existe, segundo o provérbio, entre a palavra e a ação... os fatos, segundo um refrão inglês, falam com mais força que as palavras.

A testemunha é quem fala com a vida. Um pai e uma mãe crentes devem ser, para os filhos, «as primeiras testemunhas da fé» (isso é pedido a eles pela Igreja a Deus, na bênção que acompanha o rito do matrimônio). Usemos um exemplo concreto. Neste período do ano, muitas crianças [e jovens] se aproximam da primeira comunhão e da confirmação. Uma mãe e um pai crentes podem ajudar seu filho a repassar o catecismo, explicar-lhe o sentido das palavras, ajudar-lhe a memorizar as respostas. Fazem algo belíssimo e oxalá fossem muitos os que o fizessem! Mas o que pensará a criança se, depois de tudo o que os pais disseram e fizeram por sua primeira comunhão, descuidam depois sistematicamente da Missa dos domingos, e nunca fazem o sinal da cruz nem pronunciam uma oração? Foram mestres, não testemunhas.

O testemunho dos pais não deve, naturalmente, limitar-se ao momento da primeira comunhão ou da confirmação dos filhos. Com seu modo de corrigir e perdoar o filho e de perdoar-se entre si, de falar com respeito dos ausentes, de comportar-se ante um necessitado que pede esmola, com os comentários que fazem em presença dos filhos ao ouvir as notícias do dia, os pais têm diariamente a possibilidade de dar testemunho de sua fé. A alma das crianças é um filme fotográfico. Tudo o que vêem e ouvem nos anos da infância se marca nele e um dia «se revelará» e dará seus frutos, bons e maus.


Fonte: Zenit