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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dom Odilo comenta Acordo entre Igreja e Estado

'Acordo facilita relação entre Igreja e Estado'

Para arcebispo de São Paulo, reconhecimento jurídico é grande avanço

Artigo de José Maria Mayrink - O Estado de São Paulo

O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, afirmou, em entrevista coletiva, que a grande novidade do acordo assinado ontem pelo Brasil com a Santa Sé, em Roma, é o reconhecimento jurídico da Igreja Católica, uma questão pendente desde a proclamação da República.

“Embora estivesse em vigor um decreto provisório assinado em 1890, que estabelecia a laicidade do Estado, a Igreja queria ter mais clareza sobre questões como a liberdade religiosa e a não discriminação de religiões”, disse o cardeal, ao fazer uma análise do documento.

Os 20 artigos do acordo, segundo d. Odilo, vão facilitar a convivência da Igreja com o Estado brasileiro, porque põem no papel, com carimbo oficial, uma série de práticas até agora não reconhecidas formalmente. O acordo assinado no Vaticano entrará em vigor quando for ratificado pelo Congresso.

D. Odilo citou como uma das conquistas do documento o espaço garantido ao ensino religioso, “católico e de outras confissões religiosas”, nas escolas públicas de ensino fundamental. “O artigo 11, que trata dessa questão, é um avanço, porque favorece todas as religiões”, disse o cardeal.

“O acordo foi assinado pela Igreja Católica, mas outras confissões religiosas poderão seguir o mesmo caminho, se quiserem negociar com o Estado”, acrescentou. Segundo o arcebispo, outras igrejas não participaram das negociações que levaram ao acordo assinado no Vaticano.

O ensino religioso é garantido pelo texto do documento, que o reconhece como um direito confessional plural, mas a aplicação do que foi acertado vai depender de regulamentação estadual. D. Odilo informou que tem havido dificuldades nesse ponto em alguns Estados, incluindo São Paulo, “onde falta ainda dar alguns passos para definir como o ensino religioso pode ser ministrado”.

Os governos estaduais deverão decidir, por exemplo, quem vai ensinar matéria religiosa, credenciando para isso professores apresentados por cada religião - seja cristã, judaica, muçulmana ou de outros credos. Quem não deseja ter ensino religioso tem o direito de não freqüentar as aulas de religião, de matrícula facultativa.

D. Odilo apontou como outra conquista as duas linhas do artigo 13, pelo qual “é garantido o segredo do ofício sacerdotal, especialmente o da confissão sacramental”. Isso significa que, na hipótese de ser interrogado por um tribunal, o padre pode se recusar a fazer revelações sobre questões das quais tomou conhecimento no sigilo do confessionário.

Caros irmãos, em paralelo e em consonância a este importante Acordo entre Igreja Católica e Estado, uma equipe composta por padres, diáconos, religiosos e professores, finalizam o documento "Diretrizes e Planejamento para a Pastoral da Educação e Ensino Religioso", que orienta e define as ações da Região Episcopal Sé e com fundamentos para eventual aplicação em toda a Arquidiocese. Os trabalhos desta equipe tem o acompanhamento direto de Dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar da Região Episcopal Sé.

"A colheita é grande e são poucos os operários".

Se você quiser participar e colaborar neste tema, fale conosco. Paz e Bem!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Acordo Brasil x Santa Sé

13/11/2008
Por ocasião da visita do presidente Lula, foi assinado o Acordo entre a Santa Sé e o Brasil sobre o status jurídico da Igreja Católica no país.
O acordo atribui personalidade jurídica à Igreja e garante a plena realização de sua missão apostólica e pastoral. Sacerdotes e todos os agentes pastorais poderão ter a liberdade de entrar nas estruturas de saúde, nas estruturas penitenciárias, escolares e em todos os locais onde a Igreja pode levar a sua mensagem espiritual.
O acordo contempla todos os temas que se referem à evangelização, à missão da Igreja, em relação à sociedade e em relação ao Estado.
No Acordo há uma referência aos missionários: prevê-se que o bispo possa garantir a entrada deles.
Além disso, fica regulamentado o ensino da religião católica nas escolas.
Fonte: H2O News

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Fé e Razão na Universidade

Fé e Razão na Formação Universitária
28/08/2008

O Papa Bento XVI, que não esqueceu a sua experiência universitária, continua insistindo na complementaridade entre fé e razão também como tema essencial da formação na educação superior.

O professor Santiago Ortigosa da Universidade Complutense de Madrid sublinha a atualidade desta questão.

“A separação entre fé e razão é uma separação entre duas coisas que estão destinadas a compenetrar-se sempre; pois a razão acabou ocupando-se do quantitativo e destroi o qualitativo, o que há de qualidade no ser humano. Por isso, é cada vez mais urgente não repetir os erros da História. Há pessoas que conhecem a História como mestra da vida e há quem a conhece para repetir o que sucedeu de mal.”


Este catedrático espanhol salienta a importância do trabalho docente para as futuras gerações.

“Dentro de cem anos não importará como vestia, não importará quanto dinheiro tinha no banco, nem importará quanto gastava diariamente, mas o mundo poderá ser distinto porque eu fui importante na vida de um só dos meus alunos. E eu confio nisto; os nossos alunos vão sentar-se onde estivemos sentados, serão responsáveis pela política e vão considerar importante o que nós consideramos importante. O futuro está nas mãos deles.”

Na Arquidiocese de São Paulo, uma equipe orientada pelo bispo Dom Simão e formada por padres, diáconos, professores e alunos constituíram a Diaconia Universitária, cujo maior objetivo é integrar o jovem às verdades da fé. O compromisso da Diaconia é levar a presença do Cristo na formação universitária, assim teremos profissionais compromissados com a boa nova do Cristo e que em suas vidas tenham respeito e dignidade à vida.

domingo, 3 de agosto de 2008

Verdades sobre a Educação Brasileira 1


Este vídeo retrata a situação em nossas escolas em pleno século XXI. Nos últimos 30 anos o conhecimento da população brasileira vem decrescendo vertiginosamente.

Nossos estudantes secundários tiram sistematicamente os últimos lugares no Pisa – Programa Internacional de Avaliação promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas como poderia ser diferente, se o próprio MEC reconhece que 66 por cento dos professores não têm formação adequada? O sistema atual de Ensino, não é capaz de educar nem mesmo os educadores, quanto mais as crianças!

Reproduzo o pensamento do Sr. Olavo de Carvalho sobre o tema: "Sugeri, e volto a fazê-lo, um Pisa, um teste internacional para os professores universitários e para os ministros da Educação. Se é verdade que pelos frutos os conhecereis, tenho a certeza de que os gênios do planejamento educacional brasileiro não obterão melhor classificação que a daqueles que eles educaram. Não há abandono intelectual mais danoso, triste e desesperançado, do que entregar nossos filhos aos cuidados dessas pessoas." Veja o vídeo deste artigo.

Temos notícia de que a verba para a Educação existe, porém, com certeza foi aplicada de forma errônea, pois atende a objetivos eleitoreiros e de promoção do Poder "democraticamente eleito". Sabemos que não há interêsse, por parte do poder constituído, de alimentar o povo com sabedoria e conhecimento. Detectamos algumas iniciativas isoladas de moralizar o ensino, mas, quando o MEC estabelece que nenhum aluno pode ser reprovado nas primeiras séries, os educadores desanimam de realizar um trabalho sério. Os estudantes tem elevado índice de aprovação, por decreto-lei e não por capacidade!

A Igreja tem insistido com seus grupos de pastoral a conscientizar os educadores de que é preciso levar a sério o Sistema de Ensino. Contudo, a mentalidade reinante no meio acadêmico é a de que "religião e educação não se misturam". A Igreja teve um fundamental papel na evolução do conhecimento, principalmente no Brasil, porém hoje ela é discriminada, pois assusta os monopolizadores do poder: o povo não precisa ter conhecimento acima do mínimo para produzir bens materiais.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Seminário do Fórums das Pastorais Sociais CNBB Sul 1

Seminário das Pastorais sociais do Regional Sul 1 acontece no próximo fim de semana


Com o tema A missão das Pastorais Sociais, acontece entre os dias 4 e 6 de julho, em São Paulo (SP) o Seminário das Pastorais Sociais, evento realizado pelo Fórum das Pastorais Sociais do Regional Sul 1 da CNBB (São Paulo) que tem por objetivo abrir um espaço para intercâmbios, estudos, encaminhamentos e celebração.

O seminário vai reunir agentes das pastorais sociais, das dioceses e arquidioceses, representantes dos organismos, movimentos e entidades ligadas ao Regional Sul 1. O livro A Missão da Pastoral Social, lançado recentemente pela Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, será o ponto de partida para as reflexões do encontro.

Informações pelo telefone (11) 3253-6788.


Os diáconos permanentes serão do Regional Sul 1, serão representados pelos diáconos Pascoal e Franco.



quarta-feira, 11 de junho de 2008

Fé e Razão na Universidade!

Fé e razão na universidade

10/06/2008

400 professores de 26 países se reuniram no VI Simpósio de docentes universitários, organizado pelo Vicariato de Roma, que se realizou de 5 a 8 de junho de 2008 na Pontifícia Universidade Lateranense.

“A filosofia e a teologia devem ter como objetivo alargar os espaços da racionalidade em um diálogo profundo com a ciência”, afirmou o cardeal Camilo Ruini, Vigário do Papa para a diocese de Roma, na sessão inaugural da qual participou também o recém-eleito prefeito de Roma, Gianni Alemanno.

O estudo se dividiu em 4 áreas de investigação filosófica: ciência, religião, antropologia e sociedade.

O presidente do Pontifício Conselho para a Cultura descreve o decisivo papel do professor universitário.

Dom Gianfranco Ravasi - Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura

“É muito importante este congresso no qual se reúnem especialistas e acadêmicos universitários de diferentes países para estudar um tema muito importante como é a filosofia. A filosofia que, em certo sentido, une a fé com a investigação científica”.

“Este congresso é interessante porque convoca países, línguas e culturas diversas para uma reflexão comum dos que têm como objetivo a educação dos jovens dentro da universidade, para que sejam capazes de interrogar-se verdadeiramente sobre as perguntas importantes”.

“Um autêntico professor universitário, um verdadeiro mestre, deve conseguir que seus alunos se interroguem acerca do sentido último da história e de sua própria vida”.

Card. Zenon Grocholewski - Prefeito da Congregação para a Educação Católica


quinta-feira, 29 de maio de 2008

Educação: existem alternativas?


Discurso do Papa à Plenária da Conferência episcopal italiana reunida no Vaticano: Família, vida, escola e concórdia social.

Bento XVI reafirma a necessidade de enfrentar a emergência educativa hoje presente na sociedade italiana. No discurso dirigido à plenária da Conferência episcopal italiana, reunida no Vaticano, o Papa destacou que os jovens se sentem deixados sozinhos diante das grandes perguntas que brotam inevitavelmente dentre deles, como diante dos desafios sobre o seu futuro.

Responde-se à emergência educativa, com um ensinamento de qualidade, com um adequado apoio às instituições escolásticas católicas, com um forte compromisso pastoral. O Papa reafirmou o pedido às instituições de tutelar a família, respeitar a vida, de comprometer-se a dar futuro e esperança ao país com relações serenas no plano social e político, num quadro de certeza e legalidade.

A Igreja - disse – fará a sua parte até o fim para o bem do país.


Nota Minha: Será que está proposta apresentada pelo Papa não poderia ser aproveitada em outros países onde a Educação manietada pelo Estado caminha para o caos total?

É preciso refletir muito e, arregaçar as mangas (quem ainda as tiver) para trabalharmos em prol de um futuro melhor para nossa juventude.

terça-feira, 29 de abril de 2008

CND divulga Curriculo mínimo para as Escolas Diaconais

Sugestão de curriculo mínimo para as Escolas Diaconais

A Equipe Nacional de Assessoria Pedagógica da CND elaborou esta proposta para atender às solicitações de dioceses que querem iniciar uma Escola Diaconal. Trata-se apenas de uma sugestão que pode se adequar às suas exigências e contextos.
Procuramos com este currículo mínimo atender a orientação da CNBB nas “Diretrizes para o Diaconado Permanente”, (doc. 74), que entre outras coisas recomenda: “a Escola Diaconal deverá ter uma carga horária mínima de 1000 horas/aula e um tempo mínimo de preparação de três anos.” (n.192).
Pretendemos com a colaboração de algumas escolas diaconais, disponibilizar outras propostas curriculares, que sirvam como sugestão para as dioceses que pretendem iniciar ou reformular as propostas das suas escolas diaconais.
Para ler ou baixar o documento, basta clicar no título desta notícia!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Papa reafirma Diretrizes para Educação Católica


O Papa Bento XVI disse aos líderes norte-americanos das universidades da Igreja Católica Romana na quinta-feira, 17 de abril, que a liberdade acadêmica tem "grande valor" para escolas, mas não justifica posições que violem os dogmas católicos.
O Papa, que já foi acadêmico, disse que os ensinamentos da igreja devem moldar todos os aspectos da vida no campus universitários, e educadores católicos devem ter "uma profunda responsabilidade em guiar jovens à verdade."

"Eu quero reafirmar o grande valor da liberdade acadêmica", disse Bento XVI a centenas de educadores reunidos na Universidade Católica da América. "Ainda assim, é também o caso que qualquer apelo ao princípio da liberdade acadêmica quer justificar posições que contradizem a fé e os ensinamentos da igreja, obscurecendo e até traindo a identidade e a missão da universidade", disse.

Continua o Papa:"Professores e administradores, quer em universidades ou escolas, têm o dever e o privilégio de garantir que estudantes recebam instrução dentro da doutrina e prática católica. Divergências dessa visão enfraquecem a identidade católica e, longe de levar à liberdade, inevitavelmente levam à confusão, tanto moral, intelectual ou espiritual."
Esse discurso foi uma das apresentações mais esperadas do papa Bento XVI em sua visita de seis dias aos Estados Unidos, sua primeira desde que foi eleito em 2005.
As mais de 200 universidades católicas têm estado no centro de uma briga da igreja entre identidade religiosa e liberdade de expressão.

Fonte: site Estadão

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Pastoral Universitária: Encontro Latino Americano

“A missão da universidade e a universidade na missão”
Com esta temática, encontro reunirá os responsáveis pela Pastoral Universitária e pela Educação Superior das conferências episcopais da América Latina e Caribe.
Promovido pela seção de Educação Superior do Departamento de Cultura e Educação do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), o evento acontece no dia 7 de abril, na Universidade Católica Maria Rainha da Paz, em Tegucigalpa, Honduras.
O encontro contará com a presença do responsável pela seção, dom Norberto Strotmann e do secretário executivo do Departamento, padre Jorge Andrés Marin.
Até 10 de abril, os participantes irão refletir temas como:
A responsabilidade da Universidade Católica nas transformações do mundo atual;
Universidade Católica como projeto evangelizador da cultura e da sociedade;
Missão Continental Universidade e missão.
O Departamento de Cultura e Educação do Celam tem como objetivos acompanhar, servir e impulsionar as conferências episcopais da América Latina e Caribe na reflexão e busca de caminhos pastorais, à luz da Conferência de Aparecida, para que nos âmbitos do departamento seja fortalecida a vocação de discípulos e missionários de Jesus Cristo na missão da Igreja.
O Departamento compreende as seguintes seções: Cultura, Educação Superior, Educação Geral (básica e média); Povos Originários; Afrodescendentes.
Fonte: Site da CNBB - Abril 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

Encontro da Pastoral da Educação Regional Sul 1 da CNBB


Este encontro aconteceu nos dias 14, 15 e 16 de março de 2008, em Itaici, Indaiatuba – São Paulo. Com o tema “Vida, Educação e Sexualidade”, o encontro reuniu educadores de cerca de 20 dioceses do Estado de São Paulo, proporcionando uma reflexão sobre o tema.

O professor Luiz Antonio, assessor nacional da Pastoral da Educação, abriu o Encontro com a apresentação das principais ações da PE das diversas Dioceses presentes. Estas ações têm fortalecido e entusiasmado os educadores pela riqueza de resultados obtidos na melhoria da qualidade da educação em diversas frentes.

Com a participação ativa de Dom Caetano Ferrari, OFM, Bispo de Franca e recentemente designado como responsável pelo Setor da Educação e Comunicação no Regional Sul 1, o Encontro permitiu aos educadores vislumbrarem as diferentes experiências realizadas nas Dioceses onde acontece a PE. Dom Caetano falou sobre sua vocação sacerdotal que sempre esteve acompanhando o Mundo da Educação, o que lhe habilita a acompanhar este grupo com muito carinho e afeto. Também transmitiu aos presentes, a gratidão do Episcopado pelo protagonismo dos leigos (professores e professoras) engajados no processo missionário de conscientizar o universo educacional da dignidade da vida.

O Frei Carlos Josaphat discorreu sobre a relação da “Educação, Sexualidade e Mídia”, colocando a Educação como dimensão essencial do ser humano, que assume a autonomia de se conduzir e de se criar. “Somos seres criadores”, enfatiza o mestre, daí que “a falta do equilíbrio sexual nos homens e nas mulheres compromete a afetividade humana”. O Frei afirma que o educador tem a responsabilidade de explicar o que é o mundo e mobilizá-lo por uma mudança de atitudes e de éticas. Convida ainda os educadores, a esclarecer o que é a mídia e como esta deve se incorporar ao contexto da vida digna. É preciso mostrar a todos a Mídia como fábrica de costumes e necessidades ao interesse do capital e do consumismo.

Com o Professor Antonio Boeing, assessor de Ensino Religioso da AEC/SP, foram levantados os “Aspectos Pedagógicos da Educação para a Sexualidade.” Conforme o professor Boeing, “o caminho para a qualidade de vida passa pela responsabilidade de cada um”. Com uma exposição alicerçada na prática de anos vividos na área da Educação, o professor conduziu os passos da apresentação, abordando a Construção da Cultura e o Desenvolvimento Humano, passando a confrontar os desafios da atualidade. Compreendida a produção religiosa, conclui afirmando que “a sexualidade vai se definindo no processo de construção do ser e na busca do sentido da vida.” O educador é convidado a buscar referenciais para despertar no educando a edificação do ser na Ética, na Estética e na Mística. Numa sociedade com a concepção do SER-TER-PRAZER, é preciso disciplinar os sentidos, habitar a própria ‘casa’ e cultivar a beleza e a verdade.

Dom José Benedito Simão, Bispo Auxiliar da Região Brasilândia da acompanhante da Pastoral da Educação na Arquidiocese de São Paulo, participou proporcionando uma reflexão sobre os desafios enfrentados pelos professores seja na falta de recursos físicos em sala de aula, até sua baixa remuneração no mercado de trabalho. Convida aos governantes a investirem mais na Educação Pública, incentivando a uma metodologia educacional para acolher o jovem no mundo atual. “É preciso surgir a nova civilização do amor, onde a dignidade da vida seja respeitada desde os primeiros momentos de vida da célula embrionária.”

O professor Luiz Antonio, assessor nacional do setor Educação da CNBB, apresentou os pontos do Documento de Aparecida que tratam da Educação. Informou que a Igreja no Brasil prepara suas diretrizes para os próximos anos à luz do DA, motivando todas as dioceses a conhecerem em profundidade o seu teor. Temos ainda uma missão ‘continental’ de que a ação pastoral de Aparecida aconteça em toda a América Latina e Caribe. O professor incentiva ainda que todas as Dioceses tenham como referência de trabalho o Texto Base da Pastoral da Educação e, que todos auxiliem a implantação da PE nas Dioceses em que ela ainda não esteja estruturada. Que a equipe formada para a PE, tenha o cuidado de conhecer o Plano Pastoral Diocesano, para que todos acompanhem as ações previstas e integrem a Educação no conjunto das atividades.
A Campanha da Fraternidade a cada ano aborda temas que subsidiam os trabalhos da Pastoral e, agora com a Cartilha da CF e o texto-base, temos elementos para aprofundar a reflexão no decorrer de todo o ano e não somente na Quaresma. Foram analisados os itens 328, 334, 338, 481 e 483 do DA, que forneceram elementos para fundamentar e orientar os trabalhos das pastorais. O item 483 do DA contempla e agradece aos que trabalham na Escola Pública, merecendo estes todo o esforço da Igreja para auxiliá-los e apoiá-los.
A Pastoral da Educação em várias dioceses participa do Ensino Religioso, seja no âmbito confessional católico como no supra confessional, conforme estabelecido na LDB (Lei de Diretrizes e Base).

Os participantes foram convidados a refletirem sobre questões baseadas nos diversos desafios encontrados na ação da Pastoral da Educação. Estas questões foram debatidas em grupos e, após sua apresentação, comporão um documento com as conclusões baseadas na experiência e na vivência dos educadores cristãos que integram as pastorais.

A Professora Caci Amaral, apresentou um breve resumo da história e do conteúdo da Lei 9840/99, que visa combater a corrupção eleitoral. Na apresentação destaca-se a proposta inicial em 1997, quando a Comissão Brasileira de Justiça e Paz, decidiu dar continuidade à Campanha da Fraternidade de 1996, cujo tema foi “Fraternidade e Política”. Foram apresentados os resultados destes anos de aplicação da Lei e o crescimento dos Comitês 9840, que facilitam o acolhimento das denúncias e agilizam a penalização dos infratores. A Lei de iniciativa popular aproximou a sociedade e o poder judiciário; permitiu na sociedade um processo educativo sobre a possibilidade de eleições limpas e apresentou aumento do número de cassações por corrupção eleitoral, que demonstra que a Lei 9840 é aplicada. Apesar disso é preciso ainda: acelerar o julgamento dos processos; tornar mais conhecida a Lei 9840 para ampliar a sua aplicação e o seu acompanhamento e articular a luta por eleições limpas com o combate a todas as demais formas de corrupção.

Palestra do Dr. Mário Aurélio Galletta, professor da FM/USP e Médico Responsável pelo setor de Gravidez na Adolescência da Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP desde 1995. Com o tema: “A Educação para a Prevenção da Gravidez Precoce”, o Dr. Mário apresenta dados alarmantes sobre o crescente número de adolescentes grávidas. No Brasil acontecem cerca de 700 mil partos sendo quase 200 mil de adolescentes. Hoje se aproxima de 25% de partos no Brasil, isto é, de cada quatro partos um é de adolescente. A importância da prevenção, as repercussões emocionais da gravidez na vida da jovem e as razões da gravidez foram amplamente esclarecidas nesta apresentação. Esta situação independe se as adolescentes estudam em escola pública ou particular. O que muitas vezes ocorre é que na Escola particular se recorre ao aborto, o que na pública fica mais difícil devido aos parcos recursos da família. Destaca-se que a maioria das jovens grávidas, não tem um projeto de vida. O risco de morte na gravidez na faixa etária de 10 a 14 anos é muito maior que o da faixa de 40 a 50 anos e, os dados mostram um aumento destes partos. As jovens grávidas têm maior possibilidade de gerar crianças com problemas de saúde, devido à sua própria falta de estrutura física para alimentar e acomodar a criança (intra e extra útero). Situação emocional também aparece mais fragilizada nas jovens grávidas. O relacionamento sexual também passa a ser mero coito, não chegando próximo ao verdadeiro relacionamento necessário para atingir o prazer na relação homem-mulher. Como educadores, é preciso esclarecer essa realidade e observar o comportamento, principalmente daquelas jovens mais retraídas que não participam dos grupos e se alienam com seus problemas. Sugere-se alertar os jovens sobre as conseqüências da gravidez precoce, mas, deve-se deixar a possibilidade de escutá-los. Muitas vezes, a atenção fora da classe gera melhores resultados.

Na finalização, o professor Luiz Antonio propôs que para meados de novembro, aconteça um encontro de agentes de pastorais, para formação sobre o tema da Campanha da Fraternidade de 2009, visando agirem como multiplicadores na PE em suas respectivas Dioceses.

Fica ainda registrado o trabalho empreendido pelo MEC na elaboração da Cartilha que provocará conscientização popular da necessidade de melhoria na qualidade da educação no Brasil. Este projeto tem recebido colaboração direta da CNBB e o lançamento da cartilha tem previsão para junho próximo. Serão impressas cerca de 50 milhões de exemplares.

Resumo: Deste encontro, verificamos que existe um precioso campo de trabalho para o educador cristão, onde é preciso de maneira amorosa acolher a juventude que não tem referencias de valores, ou se apóia em modelos produzidos pela mídia, que marginalizam os verdadeiros valores da vida humana. A falta de estrutura familiar tem levado os jovens por caminhos diversos. Não devemos viver dizendo não aos jovens, mas, quando o momento for oportuno, o não deve ser firme e definitivo. Esta Pastoral precisa desempenhar sua missão de levar a ação da Igreja ao Mundo da Educação.
As missas celebradas no sábado e no domingo e os momentos de meditação gentilmente preparados pela PE de Franca, possibilitaram aos agentes participantes deste Encontro, a oportunidade de momentos de profunda reflexão sobre a missão do educador cristão no atual contexto social.


Nota Diaconal:
O diácono permanente, na qualidade de pai e ministro consagrado, pode incentivar os educadores que participam de sua comunidade, para que implantem a Pastoral da Educação. Na medida do possível, colaborem nesse serviço de grande importância na vida desses jovens que precisam de uma referência concreta de Amor Cristão. E naquelas Dioceses onde a Pastoral já existe, o diácono representará um elo importante como figura do Cristo-Servo, exercendo o ministério da Caridade. Precisamos motivar e mobilizar educadores cristãos a se unirem para que todos tenham vida digna e a tenham em abundância. Procure seu Pároco, converse com seu Bispo ou procure sua Comissão de Diáconos para conseguir maiores informações.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Comissões Universitárias: A Fé e a Razão para a Dignidade da Vida

Publicamos neste modesto espaço, a carta-convite para a constituição das Comissões de Estudo que proporão uma nova identidade do universitário católico. Participe!

A Diaconia Universitária da Arquidiocese de São Paulo, órgão pastoral recentemente criado, propõe-se articular as universidades paulistanas no intuito de conquistar a identidade do universitário católico, de forma que se busque uma nova consciência do cristão que se educa para servir mais e melhor a Igreja e a sociedade civil. Como as demais instituições, a Universidade não nasceu definitivamente acabada, pronta e imutável no processo histórico da humanidade, mas sempre em evolução quanto ao ensino e aprendizado, quanto a pesquisa e extensão. As razões e as causas de sua criação remontam a Idade Média, tendo como marco referencial a Renascença do século XII. Nascida no coração da Igreja medieval, no decorrer do tempo, com as grandes conquistas da sociedade ocidental, sobretudo sob a influência do Iluminismo, a instituição escolar no geral foi sendo assimilada pela cultura ocidental, tornando-se uma instituição promovida por várias iniciativas de ordem confessional, pública e privada, tal como se configura hoje a Universidade, com seus diversos matizes ideológicos. Contudo, desde a sua origem, a Igreja pensou e criou a Instituição de Ensino Superior como corporação científica e religiosa, de Razão e Fé, universal e autônoma, para construir cidadania, servir a civilização católica da cidade, elevando seu nível cultural e capacitando profissionais que atendessem suas necessidades.

No ano que culmina o centenário da Arquidiocese de São Paulo, tempo em que também a Igreja universalmente celebra o ano santo dedicado a São Paulo, intrépido apóstolo da fé, missionário de Nosso Senhor Jesus Cristo e padroeiro de nossa Igreja particular, a Diaconia Universitária gostaria de convidá-lo (a) a participar das comissões de estudos e pesquisas avançados em preparação ao Congresso Universitário previsto para o 2º semestre de 2008.

A cada comissão é atribuída uma temática. As temáticas correspondentes às comissões envolvem o conhecimento e a vida. Todos os conhecimentos humanos, da Fé e da Razão, estão comprometidos e a serviço da vida. Por isso achamos oportuno adotarmos como pontos de partida para a reflexão e pesquisa as temáticas sugeridas pelo subsídio ABC da CF 2008, as quais merecem logicamente o devido aprofundamento nos campos próprios das ciências que as sustentam. A seguir apresentamos o elenco:
1. Economia e Vida
2. Sociedade e Vida 1: Educação e Vida
3. Sociedade e Vida 2: Saúde e Vida
4. Cultura e Vida
5. Religião e Vida

Na ótica da Diaconia Universitária, através desta iniciativa, pensamos envolver as universidades num clima de auto-conhecimento, de verdadeira colaboração, sobretudo as católicas, a descobrirem a sua natureza e identidade eclesial, civil e social; criar laços mais estreitos de vida e comunhão entre os universitários. Atualmente a Igreja demonstra não pouca preocupação com os jovens universitários que são destinatários do Evangelho da vida; que sejam integralmente formados nas diversas áreas da ciência, profissionais eficientes, pessoas forjadas na Fé e no Amor, pessoas apaixonadas por Jesus Cristo, discípulos e missionários do Mestre Maior, humanistas cristãos, agentes transformadores da realidade social, agentes construtores do Reino de Deus, Reino da Vida.

Que o Bom Deus Todo Poderoso, Senhor de toda Ciência, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo e Nosso, pela Força do Amor de seu Espírito Paráclito, abençoe e guarde todos os participantes.

LOCAL: PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO (PUC-SP)
DATA: 15 DE MARÇO DE 2008
HORÁRIO: 09h00

Fraternalmente,

Em Cristo Jesus,
Paz e Esperança !

Dom José Benedito Simão
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Intelectuais de "La Sapienza" são enganados!

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).-
Diante da coleta de assinaturas – entre professores, pesquisadores e doutorandos das universidades italianas – em solidariedade com os 67 professores cuja carta impediu a visita do Papa à universidade de La Sapienza, «L’Osservatore Romano» – edição diária italiana datada desta quarta-feira – adverte sobre a difusão de um erro subscrito, agora, por outros 1.479. Oferecemos na íntegra o comentário do jornal da Santa Sé.
* * *As 1.479 pessoas que assinaram o chamado de solidariedade para com os 67 professores de La Sapienza que, com cuja carta, de fato, impediram Bento XVI de falar na sede universitária, escreveram: «Nós, signatários, afirmamos que teríamos nos comportado como os 67 em nome da liberdade de pesquisa e da ciência» (quem dá notícia disso é o «Corriere della Sera» de 5 de fevereiro). Talvez os 1.479 desconheçam que, «em nome da liberdade de pesquisa e da ciência», aceitaram uma falsidade, aceitando uma afirmação sem comprovar sua veracidade.
Na carta dos 67 se lê: «Em 15 de março de 1990, sendo ainda cardeal, em um discurso na cidade de Parma, Joseph Ratzinger retomou uma afirmação de Feyerabend: ‘Na época de Galileu, a Igreja se ateve à razão mais do que o próprio Galileu. O processo contra Galileu foi razoável e justo’. São palavras que, como cientistas fiéis à razão e como professores que dedicam sua vida ao progresso e à difusão do conhecimento, nos ofendem e nos humilham. Em nome da laicidade da ciência e da cultura e no respeito deste Ateneu nosso, aberto a professores e estudantes de todo credo e de toda ideologia, esperamos que o incoerente evento ainda possa ser anulado».
Se antes de apressar-se a subscrever a solidariedade com os 67, algum dos 1.479 tivesse verificado tal afirmação, teria descoberto que quem escreveu a carta obteve a citação do discurso de Ratzinger a partir da página Papa Bento XVI da Wikipédia, a conhecida enciclopédia virtual que os internautas redigem e que nenhuma pessoa de ciência utilizaria como fonte exclusiva de suas investigações sem verificar com precisão se é fidedigna.
Que a Wikipédia seja com toda probabilidade a fonte da qual se tomou a citação, testemunha-o o fato de que na carta dos 67 se faz referência a uma conferência do cardeal Ratzinger de 15 de março de 1990 em Parma. A conferência aconteceu, mas em Roma, na Universidade La Sapienza [em 15 de fevereiro de 1990, N. da R.].
O texto daquela conferência está contido em um livro, publicado em 1992 por Edizioni San Paolo com o título Svolta per l’Europa? Chiesa e modernità nell’Europa dei rivolgimenti. No pé de página, consta a seguinte «advertência» do autor: «A primeira redação desta contribuição se apresentou em 16 de dezembro de 1989 em Rieti – ainda sob a viva impressão dos acontecimentos recém-registrados na Europa oriental – como tentativa de uma reflexão inicial sobre as causas e conseqüências de tudo que ocorreu. A versão aqui apresentada é a que se usou em uma conferência na Universidade “La Sapienza” de Roma, em 15 de fevereiro de 1990. Por ocasião da celebração do 1.400º aniversário do III concílio de Toledo, apresentei em Madri, em 24 de fevereiro de 1990, uma ulterior redação, modificada com relação à circunstância específica».
Pois bem, o surpreendente é que quem tomou a citação de Feyerabend não pode deixar de ter lido a continuação* da mesma, contida na Wikipédia, que permite perceber que o sentido da frase de Ratzinger é exatamente o contrário do que os 67 professores pretenderam atribuir ao Papa.
Cada um é livre para julgar se este modo de usar a razão é correto ou se se trata mais de um ato de deslealdade: o risco de pregar a razão ante a pressão dos interesses e a atração da utilidade é exatamente aquilo que o Papa teria alertado ao corpo docente de La Sapienza, se tivesse podido falar. Que cada um julgue quem realmente defendeu a razão.
[*N. do T.: O parágrafo aludido da Wikipédia em italiano está disponível em
http://it.wikipedia.org/wiki/Papa_Benedetto_XVI . Diz, em sua versão completa - consultada nesta quarta-feira - «Em 15 de março de 1990, sendo ainda cardeal, em um discurso na cidade de Parma, retomou uma afirmação de Feyerabend: ‘Na época de Galileu a Igreja se ateve à razão mais que o próprio Galileu. O processo contra Galileu foi razoável e justo’, acrescentando: ‘Seria absurdo construir sobre a base destas afirmações uma apressada apologia. A fé não cresce a partir do ressentimento e da rejeição da racionalidade, mas desde sua fundamental afirmação e desde sua inscrição em uma racionalidade maior. Aqui quis recordar um caso sintomático que evidencia até que ponto a dúvida da modernidade sobre si mesma recorre hoje à ciência e à tecnologia’; mostrando portanto que critica as idéias de Feyeraband sobre Galileu, de cujo processo João Paulo II havia pedido oficialmente desculpas pelo erro da Igreja»].

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Carta do Papa sobre tarefa urgente da Educação

À diocese de Roma
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Queridos fiéis de Roma:
Eu quis dirigir-me a vós com esta carta para falar-vos de um problema que vós mesmos experimentais e no qual estão comprometidos os diferentes componentes de nossa Igreja: o problema da educação. Todos nos preocupamos profundamente pelo bem das pessoas que amamos, em particular de nossas crianças, adolescentes e jovens. Sabemos, de fato, que deles depende o futuro de nossa cidade. Devemos, portanto, preocupar-nos pela formação das futuras gerações, por sua capacidade de orientar-se na vida e de discernir o bem do mal, por sua saúde não só física, mas também moral.
Pois bem, educar nunca foi fácil, e hoje parece ser cada vez mais difícil. Este fato é bem conhecido pelos pais de família, professores, sacerdotes e todos os que têm responsabilidades educativas diretas. Fala-se, por este motivo, de uma grande “emergência educativa”, confirmada pelos fracassos que encontram com muita freqüência nossos esforços por formar pessoas sólidas, capazes de colaborar com os outros e de dar um sentido à própria vida. Então se coloca a culpa espontaneamente nas novas gerações, como se as crianças que hoje nascem fossem diferentes das que nasciam no passado. Fala-se também de uma “fratura entre as gerações”, que certamente existe e tem seu peso, mas é mais o efeito e não a causa da falta de transmissão de certezas e de valores.
Portanto, temos de colocar a culpa nos adultos de hoje, que já não são capazes de educar? Certamente, é forte a tentação de renunciar, tanto entre os pais como entre os professores, e em geral entre os educadores, e inclusive se dá o risco de não compreender nem sequer qual é seu papel ou inclusive a missão que lhes foi confiada. Na verdade, não estão em jogo somente as responsabilidades pessoais dos adultos e dos jovens, que certamente existem e não devem esconder-se, mas também um ambiente difundido, uma mentalidade e uma forma de cultura que levam a duvidar do valor da pessoa humana, do próprio significado da verdade e do bem, em última instância, da bondade da vida. Torna-se difícil, então, transmitir de uma geração a outra algo válido e certo, regras de comportamento, objetivos confiáveis sobre os quais se pode construir a própria vida.
Queridos irmãos e irmãs de Roma: frente a esta situação, quero dizer-vos algo muito simples: Não tenhais medo! Todas estas dificuldades, de fato, não são insuperáveis. São mais, por assim dizer, o outro lado da moeda desse dom grave e precioso que é nossa liberdade, com a responsabilidade que justamente implica. Ao contrário do que acontece no campo tecnológico ou econômico, onde os processos de hoje podem somar-se aos do passado, no âmbito da formação e do crescimento moral das pessoas não se dá uma possibilidade semelhante de acumulo, pois a liberdade do homem sempre é nova e, portanto, cada pessoa e cada geração têm de tomar nova e pessoalmente suas decisões. Inclusive os maiores valores do passado não podem ser simplesmente herdados, têm de ser assumidos e renovados através de uma opção pessoal, que com freqüência custa.
Agora, quando se abalam os fundamentos e faltam certezas essenciais, a necessidade desses valores é sentida de maneira urgente: concretamente, aumenta hoje a exigência de uma educação que seja realmente tal. Ela é pedida pelos pais, preocupados e com freqüência angustiados pelo futuro de seus filhos; é pedida por tantos professores, que vivem a triste experiência da degradação de suas escolas; é pedida pela sociedade em seu conjunto, que vê como se põem em dúvida as próprias bases da convivência; é pedida em sua intimidade pelos próprios jovens, que não querem ficar abandonados ante os desafios da vida. Quem crê em Jesus Cristo tem também um ulterior e mais intenso motivo para não ter medo: sabe que Deus não nos abandona, que seu amor nos alcança onde estamos e como estamos, com nossas misérias e fraquezas, para oferecer-nos uma nova possibilidade de bem.
Queridos irmãos e irmãs: para tornar minhas reflexões mais concretas, pode ser útil encontrar alguns requisitos comuns para uma autêntica educação. Antes de mais nada, é necessária essa proximidade e essa confiança que nascem do amor: penso nessa primeira e fundamental experiência do amor que as crianças fazem, ou que ao menos deveriam fazer, com seus pais. Mas todo autêntico educador sabe que para educar é preciso dar algo de si mesmo e que só assim pode ajudar seus alunos a superar os egoísmos para poder, por sua vez, ser capazes do autêntico amor.
Em uma criança pequena já se dá também um grande desejo de saber e compreender, que se manifesta em suas contínuas perguntas e petições de explicações. Pois bem, seria uma educação sumamente pobre a que se limitasse a dar noções e informações, deixando de lado a grande pergunta sobre a verdade, sobretudo sobre essa verdade que pode ser a guia da vida.
O sofrimento da verdade também faz parte de nossa vida. Por este motivo, ao tentar proteger os jovens de toda dificuldade e experiência de dor, corremos o risco de criar, apesar de nossas boas intenções, pessoas frágeis e pouco generosas: a capacidade de amar corresponde, de fato, à capacidade de sofrer, e de sofrer juntos.
Deste modo, queridos amigos de Roma, chegamos ao ponto que talvez seja o mais delicado na obra educativa: encontrar o equilíbrio adequado entre liberdade e disciplina. Sem regras de comportamento e de vida, aplicadas dia após dia em pequenas coisas, não se forma o caráter e não se prepara para enfrentar as provas que não faltarão no futuro. A relação educativa é, antes de mais nada, o encontro entre duas liberdades, e a educação conseguida é uma formação para o uso correto da liberdade. Na medida em que a criança vai crescendo, ela se converte em um adolescente e depois em um jovem; temos de aceitar, portanto, o risco da liberdade, permanecendo sempre atentos para ajudar os jovens a corrigir idéias ou decisões equivocadas. O que nunca podemos fazer é apoiá-los nos erros, fingir que não os vemos ou, pior ainda, compartilhá-los, como se fossem as novas fronteiras do progresso humano.
A educação não pode prescindir do prestígio que torna confiável o exercício da autoridade. Esta é fruto de experiência e competência, mas se conquista, sobretudo, com a coerência da própria vida e com o envolvimento pessoal, expressão do amor autêntico. O educador é, portanto, uma testemunha da verdade e do bem: certamente ele também é frágil, e pode ter falhas, mas procurará estar sempre novamente em sintonia com sua missão.
Queridos fiéis de Roma, destas simples considerações, se vê como na educação é decisivo o senso de responsabilidade: responsabilidade do educador, certamente, mas também, na medida em que vai crescendo com a idade, responsabilidade do filho, do aluno, do jovem que entra no mercado de trabalho. É responsável quem sabe dar respostas a si mesmo e aos outros. Quem crê busca, também e antes de tudo, responder a Deus, que o amou primeiro.
A responsabilidade é, em primeiro lugar, pessoal; mas também há uma responsabilidade que compartilhamos juntos, como cidadãos de uma mesma cidade e de uma mesma nação, como membros da família humana e, se somos crentes, como filhos de um único Deus e membros da Igreja. De fato, as idéias, os estilos de vida, as leis, as orientações globais da sociedade em que vivemos, e a imagem que oferece de si mesma através dos meios de comunicação, exercem uma grande influência na formação das novas gerações, para o bem e com freqüência também para o mal. Pois bem, a sociedade não é algo abstrato; no final, somos nós mesmos, todos juntos, com as orientações, as regras e os representantes que escolhemos, ainda que os papéis e a responsabilidade de cada um sejam diferentes. É necessária, portanto, a contribuição de cada um de nós, de cada pessoa, família ou grupo social, para que a sociedade, começando por nossa cidade de Roma, se converta em um ambiente mais favorável à educação.
Por último quero propor-vos um pensamento que desenvolvi na recente carta encíclica “Spe salvi” sobre a esperança cristã: só uma esperança fiável pode ser alma da educação, como de toda a vida. Hoje, nossa esperança é afetada por muitas partes e também nós corremos esse risco, como os antigos pagãos, homens “sem esperança e sem Deus neste mundo” – como escrevia o apóstolo Paulo aos cristãos de Éfeso (Efésios 2, 12). Daqui nasce precisamente a dificuldade talvez ainda mais profunda de realizar uma autêntica obra educativa: na raiz da crise da educação se encontra, de fato, uma crise de confiança na vida.
Portanto, não posso terminar esta carta sem um caloroso convite a pôr nossa esperança em Deus. Só Ele é a esperança que resiste a todas as decepções, somente seu amor não pode ser destruído pela morte; só a justiça e a misericórdia podem curar as injustiças e recompensar os sofrimentos padecidos. A esperança que se dirige a Deus não é nunca esperança só para mim; é sempre, ao mesmo tempo, esperança para os outros: não nos abandona, mas nos torna solidários no bem, estimula-nos a educar-nos reciprocamente na verdade e no amor.
Saúdo-vos com afeto e vos garanto uma lembrança especial na oração, enquanto envio a todos a minha bênção.
Vaticano, 21 de janeiro de 2008
BENEDICTUS PP. XVI