terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Instrução Sanctorum Mater

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos a intervenção do cardeal José Saraiva Martins pronunciada esta segunda-feira na Sala de Imprensa da Santa Sé como apresentação da instrução Sanctorum Mater, da Congregação para as Causas dos Santos.

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Saúdo-vos cordialmente e vos agradeço por nos haver honrado com vossa presença
1. O objetivo
As palavras iniciais do documento que hoje apresentamos são Sanctorum Mater, isto é, a Igreja Mãe dos santos. É justamente ela, de fato, a Igreja que protege e transmite no decorrer dos tempos a memória dos santos, e os aponta como exemplo de resposta generosa às exigências do Evangelho, a fim de que estejamos conscientes, também nós, de sermos chamados a alcançar em plenitude a alta medida da vida cristã, e, isto é, a santidade.
O documento tem a qualificação técnica de Instrução: isto é, portanto, segundo o cânon 34 § 1 do Código de Direito Canônico, um texto que busca esclarecer as disposições das leis vigentes sobre as causas dos santos e determina o procedimento a ser seguido. Publicado com a aprovação do Sumo Pontífice, o Documento se torna formalmente um ato administrativo da Congregação para a Causa dos Santos, que o emitiu em virtude de seu poder executivo. Não tem, portanto, caráter legislativo, nem pode conter disposições de lei, nem tão menos prescrições contrárias à lei em vigor (1). Sua existência é, todavia, importante: com ela, de fato, quer-se contribuir para fazer com que as normas vigentes para a instrução diocesana de uma causa de beatificação e canonização sejam aplicadas com sempre maior atenção. Como se lê na introdução do Documento: «deseja clarificar as disposições das leis vigentes nas causas dos Santos, facilitar sua aplicação e indicar os modos de sua execução seja nas causas recentes como naquelas antigas».
2. Como se articula a Instrução?
O documento, dividido em seis partes, descreve minuciosamente todos os atos que os bispos devem seguir para iniciar e levar ao término a fase diocesana do processo de beatificação. Na primeira parte exige-se a necessidade de uma autêntica fama de santidade para iniciar o processo e são explicadas as figuras e as competências dos agentes, do postulador e do bispo competente para a causa. Na segunda parte se descreve a fase preliminar da causa que chega finalmente à concessão do Nulla Osta(N.d.T: Nenhum impedimento) da Congregação para a Causa dos Santos. Na terceira se fala da celebração da causa. Na quarta das modalidades a seguir no recolhimento das provas documentais e, na quinta, daqueles “testificali”; nesta seção há também um capítulo dedicado à “utilização do registrador e do computador”. Na sexta, finalmente, são indicados os procedimentos para os atos conclusivos da Investigação diocesana.
O procedimento de uma causa de beatificação e canonização compreende duas fases diversas: uma diocesana ou local e uma outra “romana”, no âmbito da Santa Sé, que, por sua vez, é definida como fase apostólica. A primeira é de caráter instrutório, para o recolhimento das provas sobre a santidade de vida, ou sobre o martírio ou, por fim, sobre um presumido milagre atribuído à intercessão de um fiel cristão morto em conceito de santidade e é seguida na diocese em cujo âmbito territorial faleceu aquele sobre o qual é instruída a causa, ou no lugar onde ocorreu o presumido milagre. A segunda fase inicia com a entrega dos atos da instrutoria diocesana à Congregação para a Causa dos Santos e continua até a decisão final: beatificação e sucessiva canonização ou arquivamento da causa.
3. Motivos para a publicação
É importante notar que a presente instrução refere-se exclusivamente à fase diocesana. Quais motivos induziram a Congregação para a Causa dos Santos redigir e publicar um documento do gênero? Posso mencionar quatro razões:
a) em primeiro lugar, já transcorreram vinte e cinco anos da promulgação, por parte de João Paulo II, das leis atualmente em vigor para a causa dos santos: a Const. Ap. Divinus perfectionis Magister, de 25 de janeiro de 1983 e a Normae servandae emitida pela Congregação em virtude de delegação pontifícia em 7 de fevereiro sucessivo, sobre o modo de proceder nas dioceses para instruir uma causa de canonização. Os anos passados confirmaram, por um lado, a bondade substancial das normas de 1983, mas, ao mesmo tempo – nem podia ser de outra forma – a experiência adquirida fez advertir que algumas disposições de lei não foram sempre intencionadas e, portanto, colocadas em prática em algumas dioceses com a devida precisão, o que motivava que a Congregação devesse algumas vezes dar os esclarecimentos e pedir às cúrias diocesanas para corrigirem os erros.
b) Por outro lado – e é este o segundo motivo pelo qual foi emitida a Instrução – nem sempre uma diocese pode contar com pessoas especializadas e com experiência prática para as diversas competências inerentes a uma causa de canonização: como, isto é, do delegado episcopal, do promotor de justiça, dos teólogos para o exame dos escritos, os peritos em matéria histórica e arquivística aos quais é confiada a pesquisa dos documentos relativos à causa etc. Isto torna evidente a utilidade, também a necessidade, de um documento aplicativo – como a presente Instrução – que sirva de guia para seguir com segurança e com precisão o estabelecido pela lei nas diversas fases do procedimento de uma causa. A Instrução é, em outras palavras, um vademecum completo e sistemático, que fornece orientações claras e precisas para os passos que se devem cumprir para o início da instrutório até o envio dos atos à Congregação para a Causa dos Santos.
c) Com a entrada em vigor das atuais legislações sobre as causas dos santos – e chegamos ao terceiro motivo que aconselhou a promulgação da Instrução – era difundida a idéia, entretanto sem fundamento, que a tradicional metodologia processual nessas utilizadas foi substituída por uma investigação de caráter histórico crítico. Na raiz desta confusão está, talvez, o fato que o termo inquisitio usado no texto latino, único oficial, para designar o procedimento na fase diocesana de uma causa de canonização, foi traduzido em italiano como inquiesta, que admite diversos significados, ao contrário, na linguagem corrente isso conota, à primeira vista, não uma instrução jurídica, mas um gênero qualquer de pesquisa. Isto motivou que nos atos do procedimento seguido nas dioceses para algumas causas se constatasse a omissão de algumas exigências processuais. Sem negar, por outro lado confirmando a necessidade e a importância de uma rigorosa pesquisa histórica, que é obviamente intrínseca ao recolhimento de provas em uma causa de canonização, a Instrução reafirma com vigor a substância processual das próprias causas, e sublinha com precisão as normas que devem ser observadas, também se na tradução italiana se é considerado preferível conservar o termo inchieste, para evitar a impressão de um emborcamento certamente não desejado.
d) E, chegamos assim ao quarto motivo, na passagem pela legislação precedente àquela hoje em vigor, não foi claro, para alguns, que a verificação séria e severa da fama de santidade ou de martírio (fama sanctitatis vel martyrii) constitui um dever prévio e absolutamente necessário a realizar-se nas dioceses, então o procedimento não deve ser iniciado se não consta, mediante provas inconfundíveis, que o servo de Deus ao qual se refere a causa em questão está em conceito de santidade ou de martírio junto a uma parte consistente dos fiéis, os quais se voltam a ele em sua oração e atribuem graças e favores à sua intercessão.
Pode-se advertir, na leitura do texto da instrução, que nessa estão constantemente operantes os termos Bispo diocesano ou Eparca e suas correlativas dioceses oueparquias. Com efeito, a normativa para as causas de beatificação e canonização é a mesma para a Igreja de rito latino e para as Igrejas Orientais(2), sempre sob a competência da Congregação para a Causa dos Santos(3).
Em seguida da publicação da Instrução se falou também de um maior rigor dos procedimentos para a canonização. Posso afirmar que tal endurecimento não existe, se por isso se entende uma modificação das normas em vigor há mais de vinte e cinco anos, a qual exigiria um instrumento legislativo de bem maior caráter do que uma simples instrução, vale dizer, uma lei verdadeira e própria emitida pelo Romano Pontífice. Todavia, não se pode negar que a Instrução se dirige a promover a observância pontual de quanto está prescrito nas normas vigentes e, neste sentido, é óbvio e desejável que o documento que hoje apresentamos terá como conseqüência uma realização mais acurada das disposições da lei.
Com isto consideramos haver retornado um serviço não indiferente aos Bispos diocesanos e às próprias causas de beatificação e de canonização. Com efeito, o art. 27, “a” da lei sobre o procedimento diocesano conhecido como Normae Servandae recomenda «cuidar com suma diligência e empenho para que no recolhimento das provas não venha omitido o quanto em qualquer modo tenha conexão com a causa, tendo por certo que o feliz êxito da própria causa depende em grande parte de sua boa instrução»(4).
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(1) O cân. 34 § 2 do CIC (Codex Iuris Canonici, N.d.T.) recita: «As determinações das instruções não derrogam as leis, e se alguma delas não se puder compor com as prescrições das leis, não têm nenhum valor». Pode conter derrogativos à lei somente se munida da aprovação específica do Romano Pontífice, mas não é este o caso da presente instrução.
(2) Cf. Codex Iuris Canonici de 1983, cân. 1403; Codex Canonum Ecclesiarum Orientalium, cân. 1057.
Cf. JOÃO PAULO II, Const. Ap. Pastor bonus, 28-VI-1988, arts. 71-74 e 58 § 2.
(4) Normae servandae de 7-II-1983, promulgada pela Congregação para a Causa dos Santos como delegação pontifícia, art. 27, a.
[Traduzido por José Caetano]

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Declaração de Aparecida em Defesa da Vida

DECLARAÇÃO DE APARECIDA EM DEFESA DA VIDA
"Maria, a Vós confiamos a Causa da Vida" (João Paulo II, Evangelium Vitae, 105)
Nós, reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (Aparecida – Brasil), de 06 a 10 de fevereiro de 2008, representantes brasileiros, do continente europeu e das Américas, no I Congresso Internacional em Defesa da Vida, promovido pela Comissão Diocesana em Defesa da Vida, da Diocese de Taubaté, com o apoio do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Arquidioceses de Aparecida e de Brasília, Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, Federação Paulista dos Movimentos em Defesa da Vida, Associação Nacional Mulheres pela Vida, Frente Parlamentar contra a Legalização do Aborto, Human Life International, Alianza Latinoamericana para la Família, Associazione per la Difesa dei Valori Cristiani - Voglio Vivere, Family Center, Agência ZENIT e outras entidades representativas da sociedade civil, bem como membros do Congresso Nacional brasileiro, de Assembléias Legislativas e de Câmara Municipais, e de pastorais diversas, procuramos fazer deste encontro uma resposta imediata ao que propõe a Campanha da Fraternidade de 2008, no Brasil, com o Tema: "Fraternidade e Defesa da Vida", e o Lema: "Escolhe, pois, a Vida".
Realizamos um intenso e aprofundado intercâmbio cultural e de experiências no que tange ao respeito à vida e à dignidade da pessoa humana. Estiveram presentes especialistas das mais diversas ciências e renomadas personalidades da área da Bioética, com expressivas lideranças nacionais e internacionais, unidos no esforço de ampliar a conscientização das inúmeras ameaças e ataques sem precedentes contra a família e a dignidade da pessoa humana, que contrariam a lei natural e a garantia do primeiro de todos os direitos humanos, que é o direito à vida.
Sentimo-nos também como um dos primeiros frutos da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, celebrada neste mesmo local, em maio passado, em que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, destacou a necessidade dos povos garantirem "o direito à uma vida plena, própria dos filhos de Deus, com condições mais humanas", para desenvolver "em plenitude a existência humana, em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural" (cf. Discurso Inaugural da Conferência). É necessário, por conseguinte, defender a vida em todas as suas fases, desde a concepção até a morte natural, reconhecer e promover a estrutura natural da família, como união entre um homem e uma mulher através do matrimônio, e tutelar o direito dos pais a educar os próprios filhos, tudo isto como conseqüência de princípios inscritos na natureza humana e comuns a toda a humanidade.
Pois, de fato, a legislação não pode basear-se somente no consenso político, mas também sobre a moral que se fundamenta em uma ordem natural objetiva. A economia deve destinar-se ao ser humano como portador de intrínseca dignidade. Não pode haver economia sem população e não pode haver população sem filhos. A sexualidade, ademais, compartilha dos direitos e da dignidade do ser humano e destina-se à construção de uma família como ao seu fim natural.
Depois de havermos estudado e refletido sobre tais princípios, sobre suas conseqüências e sobre fatos fartamente documentados da história recente, DESTACAMOS que:
● O aborto, químico ou cirúrgico, tem sido utilizado pelos países desenvolvidos como a principal ferramenta para sustentar uma política global de controle populacional. Desde 1952, com o surgimento do Conselho Populacional, aos quais se somaram, mais tarde, a Fundação Rockefeller, Ford, Gates e outras, está sendo implantado internacionalmente um programa populacional destinado ao controle demográfico do planeta. O projeto inclui a disseminação de uma mentalidade anti-natalista, compreendendo a implantação de anticonceptivos, o aborto legal e outros ataques contra a vida, dentro de uma perspectiva geopolítica e eugênica que decidiu priorizar o combate à pobreza impedindo os pobres de ter descendência em vez de investir no desenvolvimento econômico. Dentro desta nova perspectiva, a anticoncepção, o aborto e também a eutanásia tornaram-se parte de uma política demográfica, integrada a uma política mais ampla de globalização, que busca a implantação do monopólio econômico.
● Desde os anos 80, por consenso estratégico, elaborado pelas grandes Fundações que promovem o aborto, as políticas de controle populacional têm sido apresentadas propositadamente camufladas sob a aparência de uma falsa emancipação da mulher e da defesa de pretensos direitos sexuais e reprodutivos, difundidos através da criação e do financiamento de uma rede internacional de organizações não-governamentais (ONGs) que promovem o feminismo, a educação sexual liberal e o homossexualismo.
● A Organização das Nações Unidas (ONU), desde a década de 1980, comprometeu-se com as políticas de controle populacional, que constituem, atualmente, um dos grandes pólos de suas ações. Através de seus comitês de monitoramento a ONU tem propositalmente fomentado o desenvolvimento de uma jurisprudência no campo do direito internacional pela qual tenciona-se preparar o reconhecimento do aborto como direito humano. Através de vários de seus órgãos e de suas agências, a ONU tem sido ainda um dos principais organismos internacionais promotores da legalização do aborto nos países da América Latina.
● Os organismos internacionais de crédito, como o Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, entre outros, outorgam créditos para o desenvolvimento de nossas nações condicionando-os a metas políticas de controle populacional.
● Vários países da União Européia estão implicados na difusão internacional do aborto e do controle populacional, destinando para isso importantes somas de dinheiro e usando sua influência política.
● A IPPF (Federação Internacional de Paternidade Planificada), que constitui a segunda OnG mais poderosa do mundo, depois da Cruz Vermelha Internacional, com suas filiais locais (no Brasil, a Bemfam), e seus organismos satélites, como o GPI (Grupo Parlamentar Interamericano de População e Desenvolvimento) e o IPAS, principal provedor de máquinas de sucção para abortos precoces e de cursos de capacitação em práticas de abortos para médicos, têm como objetivo respectivamente a implantação, nos países em desenvolvimento, da contracepção, esterilização, aborto e treinamento de profissionais da área da Saúde para a incorporação dessas práticas.
● Parlamentares, profissionais da área da Saúde, universitários, meios de comunicação social, a classe jurídica, têm sido pressionados e influenciados pelos promotores desta cultura de morte.
● Os governos, seja por omissão ou por cumplicidade, em sua maior parte têm cedido a estas pressões implantando programas ou políticas populacionais, ou mesmo, como no caso do Brasil, propondo a total e completa descriminalização do aborto, com o que a prática se tornaria legal durante todos os nove meses da gestação.
POR TUDO ISSO:
● Denunciamos a implantação de uma cultura de morte que nos leva à perda do sentido da vida, dos valores éticos e direitos naturais, dos quais deriva todo o direito positivo.
● Denunciamos a tentativa de descriminalizar e legalizar o aborto na América Latina.
● Denunciamos a fraude no campo científico, a manipulação da linguagem e as autorizações estatais que permitem em nossos países a fabricação e a distribuição de fármacos aptos para matar seres humanos, desde suas primeiras horas de vida, como ocorre com a "pílula do dia seguinte".
● Denunciamos os programas estatais para liberar o aborto por via indireta, como as Normas Técnicas do Ministério da Saúde, que "autorizam" o aborto por mera declaração da interessada.
● Denunciamos a implantação de uma educação sexual escolar hedonista, propositalmente dissociada da idéia do matrimônio e da construção da família como seu fim natural e, em vez disso, centralizada na genitalidade, na ideologia de gênero e que promove o homossexualismo entre crianças e jovens.
● Denunciamos as tentativas de implantar a eutanásia no País, por meio de resoluções de conselhos profissionais.
E finalmente PROPOMOS:
● Difundir o conhecimento da Doutrina Social da Igreja é fundamental para a consolidação destas propostas que visam a valorização da vida, pelo entendimento e fidelidade na sua vivência dentro da perspectiva do Evangelho da Vida.
● Promover uma opção decisiva pela vida humana e por sua plena dignidade, implementando-a por meio das diversas pastorais, movimentos e outras iniciativas.
● Manter observadores permanentes dentro do Congresso Nacional brasileiro e outras Casas de Lei, de modo a um acompanhamento eficaz das propostas relativas aos autênticos direitos humanos, à vida e à família.
● Patrocinar ações legais para que cessem as violações aos direitos humanos aqui denunciadas, sem exceção alguma.
● Exigir o cumprimento da ação efetiva da defesa da vida, por todas as instituições, organismos e níveis de poder competentes, o respeito integral à vida e dignidade humana, assinalando como primeiro, o requerimento à Organização das Nações Unidas pela decretação da moratória sobre a pena de morte no mundo, especificamente dos não nascidos, dos idosos e inválidos.
Que esta Declaração seja um solene compromisso com a cultura da vida, para que todos tenham vida e a tenham em abundância.
Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, 09 de fevereiro de 2008

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Bento XVI: dimensão e visibilidade do Diaconato

Encontro do Papa com os párocos e o clero de Roma (I)
ROMA, segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 - Como é tradicional no início da Quaresma, Bento XVI se reuniu com os párocos e o clero da diocese de Roma no dia 7 de fevereiro passado. O encontro se desenvolveu em forma de diálogo, entre o Santo Padre e os participantes. Publicamos as primeiras perguntas e respostas que o Papa deu espontaneamente.

[Giuseppe Corona, diácono:]

Santo Padre: eu gostaria de expressar, antes de mais nada, minha gratidão e a de meus irmãos diáconos pelo ministério que tão providencialmente retomou com o Concílio (*), ministério que nos permite dar plena expressão à nossa vocação. Estamos comprometidos em uma grande variedade de tarefas que desenvolvemos em âmbitos muito diferentes: a família, o trabalho, a paróquia, a sociedade, também nas missões na África e América Latina, meios que o senhor já indicou na audiência que nos concedeu por ocasião do 25º aniversário do diaconato romano. Agora nosso número aumentou: somos 108. E gostaríamos que nos indicasse uma iniciativa pastoral que possa converter-se em sinal de uma presença mais incisiva do diaconato permanente na cidade de Roma, como aconteceu nos primeiros séculos da Igreja romana. De fato, compartilhar um objetivo significativo, comum, por um lado aumentaria a coesão da fraternidade diaconal, por outro daria maior visibilidade a nosso serviço nesta cidade. Apresentamos-lhe, Santo Padre, o desejo de que nos indique uma iniciativa que possamos compartilhar nos modos e nas formas que deseje assinalar. Em nome de todos os diáconos eu o saúdo, Santo Padre, com filial afeto.

[Bento XVI:]

Obrigado por este testemunho de um dos mais de cem diáconos de Roma. Eu gostaria também de expressar minha alegria e minha gratidão ao Concílio, porque repôs este importante ministério na Igreja universal. Devo dizer que quando era arcebispo de Munique, não encontrei talvez mais que três ou quatro diáconos e favoreci muito este ministério porque me parece que pertence à riqueza do ministério sacramental na Igreja. Ao mesmo tempo, pode ser igualmente um vínculo entre o mundo leigo, o mundo profissional e o mundo do ministério sacerdotal – dado que muitos diáconos continuam desenvolvendo suas profissões e mantêm suas posições, importantes ou também de vida simples, enquanto que no sábado e domingo trabalham na Igreja. Desta forma testemunham no mundo de hoje, no mundo trabalhista, a presença da fé, o ministério sacramental e a dimensão diaconal do sacramento da Ordem. Isso me parece muito importante: a visibilidade da dimensão diaconal.
Naturalmente, desta forma, todo sacerdote continua sendo diácono e deve sempre pensar nesta dimensão, porque o próprio Senhor se tornou nosso ministro, nosso diácono. Pensemos no gesto do lava-pés, com o qual explicitamente se mostra que o Mestre, o Senhor, atua como diácono e quer que todos que o seguem sejam diáconos, que desempenhem este ministério para a humanidade, até o ponto de ajudar também a lavar os pés sujos dos homens confiados a nós. Esta dimensão me parece de grande importância.
Nesta ocasião trago à memória – ainda que talvez não seja imediatamente inerente ao tema – uma pequena experiência que Paulo VI apontou. Cada dia do Concílio se entronizou o Evangelho. Disseram-lhe: não, esta é tarefa dos diáconos, não do Papa. Ele escreveu em seu diário: mas também eu sou diácono, continuo sendo diácono e desejaria também exercer este ministério do diaconato pondo no trono a Palavra de Deus. Portanto, isto nos concerne a todos. Os sacerdotes continuam sendo diáconos e os diáconos explicitam na Igreja e no mundo esta dimensão diaconal de nosso ministério. Esta entronização litúrgica da Palavra de Deus cada dia durante o Concílio era sempre para nós um gesto de grande importância: ela nos dizia quem era o verdadeiro Senhor daquela assembléia, nos dizia que sobre o trono está a Palavra de Deus e que nós exercemos o ministério para escutar e para interpretar, para oferecer aos demais esta Palavra. É amplamente significativo para tudo o que fazemos: entronizar no mundo a Palavra de Deus, a Palavra viva, Cristo. Que realmente seja Ele quem governe nossa vida pessoal e nossa vida nas paróquias.
Você também me faz uma pergunta que, devo dizer, excede um pouco minhas forças: quais seriam as tarefas próprias dos diáconos em Roma. Sei que o cardeal vigário conhece muito melhor que eu as situações reais da cidade, da comunidade diocesana de Roma. Penso que uma característica do ministério dos diáconos é precisamente a multiplicidade das aplicações do diaconato. Na Comissão Teológica Internacional, há alguns anos, estudamos longamente o diaconato na história e também no presente da Igreja. E descobrimos justamente isso: não existe um perfil único. Tudo que se deve fazer varia segundo a preparação das pessoas, das situações nas quais se encontram. Pode haver aplicações e concreções muito diferentes, sempre em comunhão com o bispo e com a paróquia, naturalmente. Nas diferentes situações se mostram várias possibilidades, também dependendo da preparação profissional que estes diáconos eventualmente tenham: poderiam estar comprometidos no setor cultural, tão importante hoje, ou poderiam ter uma voz e um lugar significativo no setor educativo. Pensemos este ano precisamente no problema da educação como central para nosso futuro, para o futuro da humanidade.
Certamente, o setor da caridade era em Roma o setor originário, porque os títulos presbiterais e as diaconias eram centros da caridade cristã. Este era, desde o início na cidade de Roma, um setor fundamental. Em minha encíclica Deus Caritas Est mostrei que não só a pregação e a liturgia são essenciais para a Igreja e para o ministério da Igreja, mas que o é igualmente o serviço da caritas – em suas múltiplas dimensões – pelos pobres, pelos necessitados. Assim, espero que em todo tempo, em toda diocese, ainda que com situações diferentes, esta continue sendo uma dimensão fundamental e também prioritária para o compromisso dos diáconos, ainda que não a única, como nos mostra também a Igreja primitiva, onde os sete diáconos foram eleitos precisamente para permitir aos apóstolos dedicar-se à oração, à liturgia, à pregação. Também depois Estevão se encontra na situação de ter de pregar aos helênicos, aos judeus de língua grega, e assim se amplia o campo da pregação. Ele está condicionado, digamos, pelas situações culturais, onde tem voz para fazer presente em tal setor a Palavra de Deus e assim faz mais possível a universalidade do testemunho cristão, abrindo as portas a São Paulo, que foi testemunha de sua lapidação e posteriormente, em certo sentido, seu sucessor na universalização da Palavra de Deus. Não sei se o cardeal vigário deseja acrescentar uma palavra; eu não estou tão próximo das situações concretas.

[Cardeal Camillo Ruini, vigário do Papa para a diocese de Roma:]

Santo Padre: só posso confirmar, como o senhor dizia, que também em Roma em concreto os diáconos trabalham em muitos âmbitos, em sua maior parte nas paróquias, onde se ocupam da pastoral da caridade, mas, por exemplo, muitos também estão na pastoral da família. Ao estarem casados quase todos os diáconos, preparam para o matrimônio, acompanham os jovens casais, e realizam trabalhos desse tipo. Também dão uma contribuição significativa à pastoral da saúde, ajudam também no Vaticano – onde alguns trabalham – e, como escutou antes, nas missões. Existe alguma presença missionária de diáconos. Creio que, naturalmente, no campo numérico, o compromisso de amplitude mais relevante é nas paróquias, mas existem igualmente outros âmbitos que estão se abrindo e precisamente por isso já temos mais de 100 diáconos permanentes.

[N. do T.: dos documentos do Concílio Vaticano II, a Constituição Dogmática Lumen gentium sobre a Igreja, assinada por Paulo VI em 21 de novembro de 1964, estabelece sobre os diáconos: «Em grau inferior da hierarquia estão os diáconos, aos quais foram impostas as mãos ‘não em ordem ao sacerdócio, mas ao ministério’ (109). Pois que, fortalecidos com a graça sacramental, servem o Povo de Deus em união com o Bispo e o seu presbitério, no ministério da Liturgia, da palavra e da caridade. É próprio do diácono, segundo for cometido pela competente autoridade, administrar solenemente o Batismo, guardar e distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar o Matrimônio em nome da Igreja, levar o viático aos moribundos, ler aos fiéis a Sagrada Escritura, instruir e exortar o povo, presidir ao culto e à oração dos fiéis, administrar os sacramentais, dirigir os Ritos do funeral e da sepultura. Consagrados aos ofícios da caridade e da administração, lembrem-se os diáconos da recomendação de S. Policarpo: ‘misericordiosos, diligentes, caminhando na verdade do Senhor, que se fez servo de todos’» (110).
Como porém, estes ofícios, muito necessários para a vida da Igreja na disciplina atual da Igreja latina, dificilmente podem ser exercidos em muitas regiões, o diaconado poderá ser, para o futuro, restaurado como grau próprio e permanente da Hierarquia. Às diversas Conferências episcopais territoriais competentes cabe decidir, com a aprovação do Sumo Pontífice, se e onde é oportuno instituir tais diáconos para a cura das almas. Com o consentimento do Romano Pontífice, poderá este diaconado ser conferido a homens de idade madura, mesmo casados, e a jovens idôneos; em relação a estes últimos, porém, permanece em vigor a lei do celibato (n. 29).]

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri]

Nota: Como sempre, ao veicular uma notícia neste site, procuro ressaltar algumas idéias do texto que poderão ser meditadas por cada irmão na caminhada diaconal.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Intelectuais de "La Sapienza" são enganados!

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).-
Diante da coleta de assinaturas – entre professores, pesquisadores e doutorandos das universidades italianas – em solidariedade com os 67 professores cuja carta impediu a visita do Papa à universidade de La Sapienza, «L’Osservatore Romano» – edição diária italiana datada desta quarta-feira – adverte sobre a difusão de um erro subscrito, agora, por outros 1.479. Oferecemos na íntegra o comentário do jornal da Santa Sé.
* * *As 1.479 pessoas que assinaram o chamado de solidariedade para com os 67 professores de La Sapienza que, com cuja carta, de fato, impediram Bento XVI de falar na sede universitária, escreveram: «Nós, signatários, afirmamos que teríamos nos comportado como os 67 em nome da liberdade de pesquisa e da ciência» (quem dá notícia disso é o «Corriere della Sera» de 5 de fevereiro). Talvez os 1.479 desconheçam que, «em nome da liberdade de pesquisa e da ciência», aceitaram uma falsidade, aceitando uma afirmação sem comprovar sua veracidade.
Na carta dos 67 se lê: «Em 15 de março de 1990, sendo ainda cardeal, em um discurso na cidade de Parma, Joseph Ratzinger retomou uma afirmação de Feyerabend: ‘Na época de Galileu, a Igreja se ateve à razão mais do que o próprio Galileu. O processo contra Galileu foi razoável e justo’. São palavras que, como cientistas fiéis à razão e como professores que dedicam sua vida ao progresso e à difusão do conhecimento, nos ofendem e nos humilham. Em nome da laicidade da ciência e da cultura e no respeito deste Ateneu nosso, aberto a professores e estudantes de todo credo e de toda ideologia, esperamos que o incoerente evento ainda possa ser anulado».
Se antes de apressar-se a subscrever a solidariedade com os 67, algum dos 1.479 tivesse verificado tal afirmação, teria descoberto que quem escreveu a carta obteve a citação do discurso de Ratzinger a partir da página Papa Bento XVI da Wikipédia, a conhecida enciclopédia virtual que os internautas redigem e que nenhuma pessoa de ciência utilizaria como fonte exclusiva de suas investigações sem verificar com precisão se é fidedigna.
Que a Wikipédia seja com toda probabilidade a fonte da qual se tomou a citação, testemunha-o o fato de que na carta dos 67 se faz referência a uma conferência do cardeal Ratzinger de 15 de março de 1990 em Parma. A conferência aconteceu, mas em Roma, na Universidade La Sapienza [em 15 de fevereiro de 1990, N. da R.].
O texto daquela conferência está contido em um livro, publicado em 1992 por Edizioni San Paolo com o título Svolta per l’Europa? Chiesa e modernità nell’Europa dei rivolgimenti. No pé de página, consta a seguinte «advertência» do autor: «A primeira redação desta contribuição se apresentou em 16 de dezembro de 1989 em Rieti – ainda sob a viva impressão dos acontecimentos recém-registrados na Europa oriental – como tentativa de uma reflexão inicial sobre as causas e conseqüências de tudo que ocorreu. A versão aqui apresentada é a que se usou em uma conferência na Universidade “La Sapienza” de Roma, em 15 de fevereiro de 1990. Por ocasião da celebração do 1.400º aniversário do III concílio de Toledo, apresentei em Madri, em 24 de fevereiro de 1990, uma ulterior redação, modificada com relação à circunstância específica».
Pois bem, o surpreendente é que quem tomou a citação de Feyerabend não pode deixar de ter lido a continuação* da mesma, contida na Wikipédia, que permite perceber que o sentido da frase de Ratzinger é exatamente o contrário do que os 67 professores pretenderam atribuir ao Papa.
Cada um é livre para julgar se este modo de usar a razão é correto ou se se trata mais de um ato de deslealdade: o risco de pregar a razão ante a pressão dos interesses e a atração da utilidade é exatamente aquilo que o Papa teria alertado ao corpo docente de La Sapienza, se tivesse podido falar. Que cada um julgue quem realmente defendeu a razão.
[*N. do T.: O parágrafo aludido da Wikipédia em italiano está disponível em
http://it.wikipedia.org/wiki/Papa_Benedetto_XVI . Diz, em sua versão completa - consultada nesta quarta-feira - «Em 15 de março de 1990, sendo ainda cardeal, em um discurso na cidade de Parma, retomou uma afirmação de Feyerabend: ‘Na época de Galileu a Igreja se ateve à razão mais que o próprio Galileu. O processo contra Galileu foi razoável e justo’, acrescentando: ‘Seria absurdo construir sobre a base destas afirmações uma apressada apologia. A fé não cresce a partir do ressentimento e da rejeição da racionalidade, mas desde sua fundamental afirmação e desde sua inscrição em uma racionalidade maior. Aqui quis recordar um caso sintomático que evidencia até que ponto a dúvida da modernidade sobre si mesma recorre hoje à ciência e à tecnologia’; mostrando portanto que critica as idéias de Feyeraband sobre Galileu, de cujo processo João Paulo II havia pedido oficialmente desculpas pelo erro da Igreja»].

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A Pílula Abortiva do Dia Seguinte!

Nota à imprensa
A intervenção do Arcebispo de Recife e Olinda, Dom José Cardoso Sobrinho, na questão da distribuição da pílula do dia seguinte pelo poder público no âmbito de sua Arquidiocese tem suscitado uma polêmica em nível nacional, e merece um adequado esclarecimento.
Em primeiro lugar, qualquer tipo de pílula anticoncepcional é um fármaco, que pode ter efeitos colaterais prejudiciais ao organismo da mulher, e seu uso deve ser acompanhado com adequados critérios clínicos, e mediante receita médica.
Dentre os anticoncepcionais, a assim chamada pílula do dia seguinte – também denominada contracepção de emergência – apresenta o agravante de ser abortiva. De fato, trata-se de um recurso usado para interceptar o desenvolvimento do concepto após uma relação sexual dita “desprotegida”, isto é, quando não foi usado um método anticoncepcional e se supõe que houve uma fecundação e o início de uma gravidez.
Para interceptar o concepto, essa pílula deveria ser ingerida dentro das primeiras 72 horas após a relação sexual que se presume tenha sido durante o período fértil da mulher e que tenha ocorrido a fecundação.
Na composição dessa pílula estão presentes os hormônios femininos estrogênio e progesterona em altas doses, segundo o protocolo de Iuzpe, e eles têm a função de alterar as fases do desenvolvimento da parede uterina (endométrio), impedindo assim a nidação (ou seja, a fixação no útero materno) da pessoa recém-concebida. O uso desses hormônios em alta dose pode acarretar sérias complicações à saúde da mulher, como os tromboembolismos. Além disso, sua ingestão nas primeiras 72 horas após a concepção provoca, na verdade, um aborto químico, tão gravemente imoral quanto o aborto cirúrgico. Por tudo isso, o uso da pílula do dia seguinte é moralmente inaceitável, ainda mais quando sua distribuição é feita de maneira indiscriminada e com o uso do dinheiro público.
Dom José Cardoso Sobrinho é movido por zelo pastoral e por fundamentadas motivações éticas, e sua iniciativa merece todo o nosso apoio.
Brasília – DF, 30 de janeiro de 2008.
Dom Antonio Augusto Dias Duarte
Médico, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro e membro da
Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, da CNBB

A distribuição dessas pílulas pelo Estado "Democrático" tem dois objetivos bem definidos: financeiro e político. Financeiramente o Carnaval canaliza lucros para diversas atividades como consumo de alcool, drogas, prostituição e alimenta a mídia, enfatizando uma diversão que mascara a real situação do povo. Politicamente, um governo "bonzinho" que deixa o povo feliz (sexualmente), induzindo a uma liberdade e uma liberalidade inconsequentes. Em Roma, os imperadores iludiam o povo com pão e circo, hoje o governo distribui esmolas (subsídios bolsa família, bolsa escola, bolsa tudo, etc...) e induz o povo ao sexo como se isso fosse o principal objetivo da humanidade.
A Igreja Católica tem a missão de resgatar o verdadeiro sentido da vida humana, baseado nos evangelhos e na Doutrina. Somos todos convidados a desmascarar essa grande farsa, onde o poder econômico se sobrepõe ao valor da vida e a dignidade da pessoa.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Carta do Papa sobre tarefa urgente da Educação

À diocese de Roma
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Queridos fiéis de Roma:
Eu quis dirigir-me a vós com esta carta para falar-vos de um problema que vós mesmos experimentais e no qual estão comprometidos os diferentes componentes de nossa Igreja: o problema da educação. Todos nos preocupamos profundamente pelo bem das pessoas que amamos, em particular de nossas crianças, adolescentes e jovens. Sabemos, de fato, que deles depende o futuro de nossa cidade. Devemos, portanto, preocupar-nos pela formação das futuras gerações, por sua capacidade de orientar-se na vida e de discernir o bem do mal, por sua saúde não só física, mas também moral.
Pois bem, educar nunca foi fácil, e hoje parece ser cada vez mais difícil. Este fato é bem conhecido pelos pais de família, professores, sacerdotes e todos os que têm responsabilidades educativas diretas. Fala-se, por este motivo, de uma grande “emergência educativa”, confirmada pelos fracassos que encontram com muita freqüência nossos esforços por formar pessoas sólidas, capazes de colaborar com os outros e de dar um sentido à própria vida. Então se coloca a culpa espontaneamente nas novas gerações, como se as crianças que hoje nascem fossem diferentes das que nasciam no passado. Fala-se também de uma “fratura entre as gerações”, que certamente existe e tem seu peso, mas é mais o efeito e não a causa da falta de transmissão de certezas e de valores.
Portanto, temos de colocar a culpa nos adultos de hoje, que já não são capazes de educar? Certamente, é forte a tentação de renunciar, tanto entre os pais como entre os professores, e em geral entre os educadores, e inclusive se dá o risco de não compreender nem sequer qual é seu papel ou inclusive a missão que lhes foi confiada. Na verdade, não estão em jogo somente as responsabilidades pessoais dos adultos e dos jovens, que certamente existem e não devem esconder-se, mas também um ambiente difundido, uma mentalidade e uma forma de cultura que levam a duvidar do valor da pessoa humana, do próprio significado da verdade e do bem, em última instância, da bondade da vida. Torna-se difícil, então, transmitir de uma geração a outra algo válido e certo, regras de comportamento, objetivos confiáveis sobre os quais se pode construir a própria vida.
Queridos irmãos e irmãs de Roma: frente a esta situação, quero dizer-vos algo muito simples: Não tenhais medo! Todas estas dificuldades, de fato, não são insuperáveis. São mais, por assim dizer, o outro lado da moeda desse dom grave e precioso que é nossa liberdade, com a responsabilidade que justamente implica. Ao contrário do que acontece no campo tecnológico ou econômico, onde os processos de hoje podem somar-se aos do passado, no âmbito da formação e do crescimento moral das pessoas não se dá uma possibilidade semelhante de acumulo, pois a liberdade do homem sempre é nova e, portanto, cada pessoa e cada geração têm de tomar nova e pessoalmente suas decisões. Inclusive os maiores valores do passado não podem ser simplesmente herdados, têm de ser assumidos e renovados através de uma opção pessoal, que com freqüência custa.
Agora, quando se abalam os fundamentos e faltam certezas essenciais, a necessidade desses valores é sentida de maneira urgente: concretamente, aumenta hoje a exigência de uma educação que seja realmente tal. Ela é pedida pelos pais, preocupados e com freqüência angustiados pelo futuro de seus filhos; é pedida por tantos professores, que vivem a triste experiência da degradação de suas escolas; é pedida pela sociedade em seu conjunto, que vê como se põem em dúvida as próprias bases da convivência; é pedida em sua intimidade pelos próprios jovens, que não querem ficar abandonados ante os desafios da vida. Quem crê em Jesus Cristo tem também um ulterior e mais intenso motivo para não ter medo: sabe que Deus não nos abandona, que seu amor nos alcança onde estamos e como estamos, com nossas misérias e fraquezas, para oferecer-nos uma nova possibilidade de bem.
Queridos irmãos e irmãs: para tornar minhas reflexões mais concretas, pode ser útil encontrar alguns requisitos comuns para uma autêntica educação. Antes de mais nada, é necessária essa proximidade e essa confiança que nascem do amor: penso nessa primeira e fundamental experiência do amor que as crianças fazem, ou que ao menos deveriam fazer, com seus pais. Mas todo autêntico educador sabe que para educar é preciso dar algo de si mesmo e que só assim pode ajudar seus alunos a superar os egoísmos para poder, por sua vez, ser capazes do autêntico amor.
Em uma criança pequena já se dá também um grande desejo de saber e compreender, que se manifesta em suas contínuas perguntas e petições de explicações. Pois bem, seria uma educação sumamente pobre a que se limitasse a dar noções e informações, deixando de lado a grande pergunta sobre a verdade, sobretudo sobre essa verdade que pode ser a guia da vida.
O sofrimento da verdade também faz parte de nossa vida. Por este motivo, ao tentar proteger os jovens de toda dificuldade e experiência de dor, corremos o risco de criar, apesar de nossas boas intenções, pessoas frágeis e pouco generosas: a capacidade de amar corresponde, de fato, à capacidade de sofrer, e de sofrer juntos.
Deste modo, queridos amigos de Roma, chegamos ao ponto que talvez seja o mais delicado na obra educativa: encontrar o equilíbrio adequado entre liberdade e disciplina. Sem regras de comportamento e de vida, aplicadas dia após dia em pequenas coisas, não se forma o caráter e não se prepara para enfrentar as provas que não faltarão no futuro. A relação educativa é, antes de mais nada, o encontro entre duas liberdades, e a educação conseguida é uma formação para o uso correto da liberdade. Na medida em que a criança vai crescendo, ela se converte em um adolescente e depois em um jovem; temos de aceitar, portanto, o risco da liberdade, permanecendo sempre atentos para ajudar os jovens a corrigir idéias ou decisões equivocadas. O que nunca podemos fazer é apoiá-los nos erros, fingir que não os vemos ou, pior ainda, compartilhá-los, como se fossem as novas fronteiras do progresso humano.
A educação não pode prescindir do prestígio que torna confiável o exercício da autoridade. Esta é fruto de experiência e competência, mas se conquista, sobretudo, com a coerência da própria vida e com o envolvimento pessoal, expressão do amor autêntico. O educador é, portanto, uma testemunha da verdade e do bem: certamente ele também é frágil, e pode ter falhas, mas procurará estar sempre novamente em sintonia com sua missão.
Queridos fiéis de Roma, destas simples considerações, se vê como na educação é decisivo o senso de responsabilidade: responsabilidade do educador, certamente, mas também, na medida em que vai crescendo com a idade, responsabilidade do filho, do aluno, do jovem que entra no mercado de trabalho. É responsável quem sabe dar respostas a si mesmo e aos outros. Quem crê busca, também e antes de tudo, responder a Deus, que o amou primeiro.
A responsabilidade é, em primeiro lugar, pessoal; mas também há uma responsabilidade que compartilhamos juntos, como cidadãos de uma mesma cidade e de uma mesma nação, como membros da família humana e, se somos crentes, como filhos de um único Deus e membros da Igreja. De fato, as idéias, os estilos de vida, as leis, as orientações globais da sociedade em que vivemos, e a imagem que oferece de si mesma através dos meios de comunicação, exercem uma grande influência na formação das novas gerações, para o bem e com freqüência também para o mal. Pois bem, a sociedade não é algo abstrato; no final, somos nós mesmos, todos juntos, com as orientações, as regras e os representantes que escolhemos, ainda que os papéis e a responsabilidade de cada um sejam diferentes. É necessária, portanto, a contribuição de cada um de nós, de cada pessoa, família ou grupo social, para que a sociedade, começando por nossa cidade de Roma, se converta em um ambiente mais favorável à educação.
Por último quero propor-vos um pensamento que desenvolvi na recente carta encíclica “Spe salvi” sobre a esperança cristã: só uma esperança fiável pode ser alma da educação, como de toda a vida. Hoje, nossa esperança é afetada por muitas partes e também nós corremos esse risco, como os antigos pagãos, homens “sem esperança e sem Deus neste mundo” – como escrevia o apóstolo Paulo aos cristãos de Éfeso (Efésios 2, 12). Daqui nasce precisamente a dificuldade talvez ainda mais profunda de realizar uma autêntica obra educativa: na raiz da crise da educação se encontra, de fato, uma crise de confiança na vida.
Portanto, não posso terminar esta carta sem um caloroso convite a pôr nossa esperança em Deus. Só Ele é a esperança que resiste a todas as decepções, somente seu amor não pode ser destruído pela morte; só a justiça e a misericórdia podem curar as injustiças e recompensar os sofrimentos padecidos. A esperança que se dirige a Deus não é nunca esperança só para mim; é sempre, ao mesmo tempo, esperança para os outros: não nos abandona, mas nos torna solidários no bem, estimula-nos a educar-nos reciprocamente na verdade e no amor.
Saúdo-vos com afeto e vos garanto uma lembrança especial na oração, enquanto envio a todos a minha bênção.
Vaticano, 21 de janeiro de 2008
BENEDICTUS PP. XVI

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Santo do Dia: São Francisco de Sales

24 de Janeiro
São Francisco de Sales - bispo e doutor da Igreja
"Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi" Jo 15,16a
A festa do Santo de hoje é-nos muito querida. Trata-se de São Francisco de Sales. Esse santo oferece-nos a mais perfeita lição do quanto se pode conseguir pela bondade e pela doçura. Foi Bispo de Genebra, na Suíça, tendo vivido entre 1567 e 1622. Viu-se logo cercado pelos calvinistas que, naquele tempo, eram tomados por uma grande aversão contra tudo o que fosse católico. Ao invés de brigar e de se entregar à oposição, S. Francisco de Sales preferiu seguir o caminho de um humanismo suave. Fez valer esta máxima: "Mais moscas se caçam com um pingo de mel do que com um barril de vinagre".
Mas não é só isso que nos ensina o santo que lembramos nesta data. Ele passou a vida escrevendo. E hoje, é patrono dos jornalistas. Seus dois livros - "Tratado do Amor de Deus" e "Introdução à Vida Devota" lêem-se em nossos dias com a mesma facilidade e interesse como no tempo em que foram escritos. Fundou a Ordem da Visitação e foi capaz de interpretar o que Deus deseja e o que está no íntimo de cada coração humano.
Ao lembrarmos a figura dos santos de hoje sentimo-nos convidados a integrar o mundo de Deus e o mundo dos homens num único grande amor: Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Evangelho de 24 de janeiro e Reflexão

Evangelho segundo S. Marcos 3,7-12.

Jesus retirou-se para o mar com os discípulos. Seguiu-o uma imensa multidão vinda da Galileia. E da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, de além-Jordão e das cercanias de Tiro e de Sídon, uma grande multidão veio ter com Ele, ao ouvir dizer o que Ele fazia. E disse aos discípulos que lhe aprontassem um barco, a fim de não ser molestado pela multidão, pois tinha curado muita gente e, por isso, os que sofriam de enfermidades caíam sobre Ele para lhe tocarem. Os espíritos malignos, ao vê-lo, prostravam-se diante dele e gritavam: "Tu és o Filho de Deus!" Ele, porém, proibia-lhes severamente que o dessem a conhecer.

Comentário ao Evangelho do dia feito por João Cassiano (c. 360-435), fundador de convento em Marselha Conferência 13.

“Da Galileia, da Judeia, da Idumeia, de Tiro e de Sídon..., vinde a mim, todos "Deus não criou o homem para ele se perder, mas para viver eternamente; e este desígnio permanece imutável. […] Ele “deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade” (1Tim 2, 4). É vontade do vosso Pai que está nos céus, diz Jesus, “que não se perca um só destes pequeninos” (Mt 18, 14). E também está escrito: “Deus não quer que pereça uma só alma” (2 Sam 4, 14); Ele difere a execução dos Seus decretos, a fim de que aquele que foi rejeitado não se perca para sempre. Deus é verdadeiro e não mente, quando garante por meio de juramento: “Por Minha vida […], não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim na sua conversão, de maneira que ele tenha a vida” (Ez 33, 11).
Poderá alguém então pensar, sem incorrer em enorme sacrilégio, que Ele não quer a salvação de todos em geral, mas apenas de alguns? Quem se perde perde-se contra a vontade de Deus, que clama sem cessar: “Convertei-vos! Afastai-vos desse mau caminho que seguis; por que persistis em querer morrer, casa de Israel?” (Ez 33, 11). E de novo insiste: “Por que persiste este povo de Jerusalém na sua obstinada rebeldia?” (Jer 8, 5) “O seu semblante é mais duro do que pedra; recusam-se a converter-se” (Jer 5, 3). A graça de Cristo está, pois, sempre à nossa disposição. Visto que quer que todos os homens se salvem, Ele chama-os a todos, sem excepção: “Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei” (Mt 11, 28).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Curso: Fé e Política do CNLB

Curso de Fé e Política que será realizado pelas Faculdades Integradas Claretianas:
Assessoria: Humberto Dantas
às quintas-feiras, das 19:30 às 21:50h.
Início em 21 de fevereiro

Informações e Matrículas: Fone 3823-59-69 c/ Nelson ou
secretaria@claretiano-sp.com.br /
www.claretiano-sp.com.br

Rua Martim Francisco, 636 - Higienópolis 01226-000 – São Paulo – SP
Próximo ao Metrô Santa Cecília
Silvestre dos Santos Lima
Comissão de Comunicação do CNLB
Coordenação: Caci Amaral / Pedro Aguerre

Nomeado Bispo Auxiliar para a Arquidiocese de São Paulo



Papa nomeia bispo auxiliar para São Paulo

quarta: 23 de janeiro de 2008
Acolhendo a solicitação de dom Odilo Pedro Scherer de poder contar com a colaboração de um bispo auxiliar, o papa Bento XVI nomeou hoje, 23 de janeiro, bispo titular de Segia e auxiliar de São Paulo (SP) o padre Tarcísio Scaramussa, SDB, atualmente assistente geral da Congregação em Roma, Itália.
Padre Tarcísio é natural de Prosperidade, município de Cachoeiro de Itapemirim (ES). Nasceu em 19 de setembro de 1950. Estudou Filosofia e Pedagogia na Faculdade Dom Bosco, em São João Del Rei (MG) e Teologia, no Instituto Central de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte (MG). Possui especialização em orientação educacional pela Universidade Católica de Minas Gerais.
Exerceu as seguintes atividades eclesiais:

formador no pós-noviciado, em São João Del Rei;

diretor da comunidade religiosa, no Instituto Salesiano Anchieta, em Jaciguá (ES);

pároco da Paróquia Cristo Luz dos Povos, em Belo Horizonte, e da paróquia São João Batista, em Jaciguá (ES);

coordenador da Equipe de Coordenação das Comunidades Eclesiais de Base, da diocese de Cachoeiro de Itapemirim;

conselheiro inspetorial; diretor do Instituto Regional de Pastoral Catequética, do Regional Leste II da CNBB;

coordenador da equipe nacional de Pastoral Juvenil; vice-provincial da Inspetoria São João Bosco e coordenador do Desenvolvimento Educativo-Pastoral Salesiano, em Belo Horizonte; provincial; presidente da Conferência das Inspetorias Salesianas do Brasil; membro da diretoria da CRB do Regional Leste II e do Conselho Superior da União Brasiliense de Educação e Cultura – Mantenedora da Universidade Católica de Brasília;

conselheiro geral para a Comunicação Social – Congregação dos Salesianos de Dom Bosco, em Roma.
Padre Tarcísio é autor de dois livros: O Sistema Preventivo de Dom Bosco: um estilo de educação e O Sistema.


Para ler o trabalho Pedagogia do Amor, elaborado pelo novo bispo, acesse:


ou para ler trechos da obra:



Os diáconos permanentes da Arquidiocese se colocam em oração para que o neo bispo auxiliar seja fraternalmente acolhido por todo o Clero e pelo povo de Deus em São Paulo.

Divorciados: a Igreja não vos esqueceu!

MILÃO, terça-feira, 22 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).

Não poder comungar não significa ficar excluído da Igreja, explica o arcebispo de Milão, o cardeal Dionigi Tettamanzi.
Ele o esclarece na carta pastoral "O Senhor está perto de quem tem o coração ferido", dirigida a pessoas que se divorciaram e que vivem uma nova união.
"A impossibilidade de aproximar-se da comunhão eucarística para os casados que vivem estavelmente uma segunda união, não implica um juízo sobre a relação que une os divorciados que voltaram a se casar".
"O fato de que com freqüência estas relações sejam vividas com senso de responsabilidade e com amor no casal e para com os filhos é uma realidade que a Igreja e seus pastores levam em consideração", reconhece.
"É um erro considerar que a norma que regulamenta o acesso à comunhão eucarística signifique que os cônjuges divorciados que voltam a se casar estejam excluídos de uma vida de fé e de caridade, vividas dentro da comunhão eclesial."
Certamente, "a vida cristã tem seu cume na plena participação da Eucaristia, mas não se reduz só a seu cume".
Por este motivo, o purpurado italiano pede aos divorciados que voltam a se casar que "participem com fé da missa", ainda que não possam comungar, pois "a riqueza da vida da comunidade eclesial continua à disposição de quem não pode aproximar-se da santa comunhão".
E assegura que a Igreja espera destas pessoas "uma presença ativa e uma disponibilidade para servir quem tem necessidade de sua ajuda", começando pela tarefa educativa que como pais têm de desempenhar com as famílias de origem.
O cardeal afirma que escreve a carta para "estabelecer um diálogo, para tentar escutar algo de vossa vida cotidiana, para deixar-me interpelar por algumas de vossas perguntas".
"A Igreja não vos esqueceu e não vos rejeita nem vos considera indignos. Para a Igreja e para mim, como bispo, sois irmãos e irmãs amados".
Quando se rompe um matrimônio, segundo o cardeal, não sofrem só os interessados, mas a Igreja também sofre: "Por que o Senhor permite que se rompa o vínculo que constitui o grande sinal de seu amor total, fiel e inquebrantável?".
"Quando se rompe este laço, a Igreja, em certo sentido, se empobrece, fica privada de um sinal luminoso que devia ser motivo de alegria e consolo", conclui.

Acredito que estas informações do Cardeal Tettamanzi, ajudarão em nossas reflexões com casais em segunda união estável. É preciso acolher e conscientizar a todos, sem discriminação.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

CF 2008: Arquidiocese de Brasília




BRASÍLIA, segunda-feira, 21 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Um dia inteiro de formação sobre a Campanha da Fraternidade (CF) 2008 para movimentos, pastorais, serviços e todos que se dedicam à defesa da vida na capital do Brasil.
Cerca de 250 pessoas foram à Universidade Católica de Brasília no último sábado (dia 19) para conhecer mais sobre a campanha que tem como tema "Fraternidade e Defesa da Vida" e lema "Escolhe, pois, a Vida!".
O presidente da Comissão Justiça e Paz arquidiocesana, Hélio da Silva, abriu o encontro lembrando que a campanha acontece nas paróquias, mas deve ser irradiada para toda sociedade. "É compromisso nosso a defesa da vida desde a concepção até a morte natural", salientou Hélio da Silva.
Foi apresentado um vídeo com a mensagem do arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Aviz, saudando aos presentes e abençoando o encontro. Ele não pôde participar por causa de uma viagem. "Queremos que o encontro e as formações ajudem a arquidiocese a fazer bem feita a campanha", afirmou Dom João Braz.
A explicação do texto-base da Campanha da Fraternidade deste ano foi dada pelo presidente da Comissão Arquidiocesana de Defesa da Vida, padre Jairo Grajalles. "A sociedade nos propõe amar as coisas e utilizar as pessoas. Nem tudo que é possível, é ético e moral", ressaltou. Segundo o padre, a posição da Igreja em defesa da integralidade da vida humana é coerente, fundamentada, razoável e iluminada pelo Espírito Santo.
Encíclicas como a Humanae Vitae, do Papa Paulo VI, e Evangelium Vitae, de João Paulo II, foram citadas em diferentes palestras do encontro.
O casal coordenador da Equipe de Métodos Naturais de Brasília, Marco e Susy de Araújo, explicou de maneira bem-humorada a eficácia dos métodos naturais para maternidade e paternidade responsáveis. "O método é do casal, ajuda no relacionamento e no diálogo", explicou Susy de Araújo.
As pastorais da saúde e da criança deram seu testemunho de defesa da vida. Além delas, o grupo Santos Inocentes, de Samambaia, periferia de Brasília, explicou seu trabalho de defesa da vida do nascituro. Há sete anos eles trabalham com a conscientização de mães que desejam abortar.
Segundo o presidente da Comissão Arquidiocesana de Leigos, o advogado Francisco Victor Bouissou, o Brasil está enfrentando três grandes riscos contra a vida. Ele citou uma ação que tramita no Supremo Tribunal Federal que libera o aborto de bebês anencéfalos; o projeto de lei que legaliza o aborto que está para ser votado na Câmara dos Deputados; e a pesquisa com células-tronco embrionárias, já legalizada no país, mas com possibilidades de ser julgada inconstitucional.
"Estamos chamados a defender as crianças com anencefalia, a vida na sua integralidade", afirmou Francisco Bouissou.
A presidente da Federação dos Movimentos em Defesa da Vida do Estado de São Paulo, Dra. Maria das Dores Guimarães, falou sobre medidas estratégicas para impedir a legalização do aborto. Ela apresentou como a chamada "cultura da morte" de legalização do aborto e da eutanásia atua por todo mundo. "É uma luta de Davi contra Golias", disse, em referência à dificuldade de financiamento das entidades em defesa da vida em relação a seus opositores.
Segundo ela, é necessária uma maior mobilização da comunidade católica de Brasília para pressionar parlamentares a votarem a favor da vida, bem como a criação de Comissões Diocesanas e Paroquiais de Defesa da Vida.

Por todo o país, a Igreja tem apresentado e preparado o Clero e os Leigos, para que a CF 2008 leve ao povo brasileiro, o verdadeiro sentido da Defesa da Vida em toda a sua plenitude. Como Diáconos, servidores do Cristo, participemos ativamente com nosso testemunho de vida.

Escola Católica não pode perder sua Identidade

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 21 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Em meio à atual "crise educativa", a escola católica não pode perder sua identidade: sua perspectiva humana e cristã, afirma o Papa.
Bento XVI deixou esta mensagem aos participantes da assembléia plenária da Congregação para a Educação Católica, reunidos hoje no Vaticano.
"A escola católica, que tem como missão primária formar o aluno segundo uma visão antropológica integral, apesar de estar aberta a todos e respeitando a identidade de cada um, não pode deixar de apresentar sua perspectiva educativa, humana e cristã", afirmou o Papa.
O bispo de Roma apresentou "o novo desafio que torna ainda mais aguda a globalização e o crescente pluralismo, ou seja, o encontro das religiões e das culturas na busca comum da verdade".
"A acolhida da pluralidade cultural dos alunos e dos pais tem de enfrentar necessariamente duas exigências: por um lado, não pode excluir alguém em nome de sua pertença cultural ou religiosa; por outro, uma vez reconhecida e acolhida esta diversidade cultural e religiosa, não deve ficar em mera constatação", afirmou.
Segundo o Papa, "isso implicaria negar que as culturas se respeitem verdadeiramente quando se encontram, pois todas as culturas autênticas estão orientadas para a verdade do homem e para seu bem".
Bento XVI assegurou que "os homens, procedentes de culturas diferentes, podem falar-se, compreender-se muito além das distâncias de espaço e de tempo, pois no coração de cada pessoa se encontram as mesmas grandes aspirações ao bem, à justiça, à verdade, à vida e ao amor".

Será que em nosso país, conseguiremos implementar essa Identidade? O Brasil encontra-se em uma das maiores crises educacionais de sua história, porém, nossos governantes não tem o menor interesse em solucionar essa questão. Quanto menos cultura e conhecimento, mais facilmente se engana e se domina um povo. Precisamos conscientizar nossos educadores para que ampliem essa mensagem do Sumo Pontífice e, na medida do possível, colocar em prática essas propostas.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Como ler a Bíblia!

Este artigo foi elaborado pelo Sr. Olavo de Carvalho
Publicado no Jornal do Brasil de 17 de janeiro de 2007



Quando você lê um romance ou peça de teatro, não tem como julgar a verossimilhança das situações e dos caracteres se antes não deixar que a trama o impressione e seja revivida interiormente como um sonho. Ficção é isso: um sonho acordado dirigido. Como os personagens não existem fisicamente (mesmo que porventura tenham existido historicamente no passado), você só pode encontrá-los na sua própria alma, como símbolos de possibilidades humanas que estão em você como estão em todo mundo, mas que eles encarnam de maneira mais límpida e exemplar, separada das contingências que podem tornar obscura a experiência de todos os dias. A leitura de ficção é um exercício de autoconhecimento antes de poder ser análise literária, atividade escolar ou mesmo diversão: não é divertido acompanhar uma história opaca, cujos lances não evocam as emoções correspondentes.

A mesma exigência vigora para os livros de História, com o atenuante de que em geral o historiador já processou intelectualmente os dados e nos fornece um princípio de compreensão em vez da trama bruta dos acontecimentos. Se você não apreende os atos dos personagens históricos como símbolos investidos de verossimilhança psicológica, não tem a menor condição de avaliar em seguida se são historicamente verdadeiros ou não. Um livro de História tem de ser lido primeiro como ficção, só depois como realidade.

O problema é que nem sempre as possibilidades que dormem no fundo da nossa alma nos são conhecidas -- e então não podemos reconhecê-las quando aparecem na ficção ou na História. O resultado é que a narrativa se torna opaca. Pior ainda, você pode se deixar enganar por falsas semelhanças, reduzindo os símbolos da narrativa a sinais convencionais das possibilidades já conhecidas, senão a estereótipos banais da atualidade. O reconhecimento interior não é só um exercício de memória, mas um esforço sério para ampliar a imaginação de modo que ela possa abarcar mesmo as possibilidades mais extremas e inusitadas. Você não pode fazer isso se não se dispõe a descobrir na sua alma monstros, heróis e santos que jamais suspeitaria encontrar lá.

Compreensivelmente, os monstros são mais fáceis de descobrir do que os heróis e santos. O medo, o nojo, a raiva e o desprezo são emoções corriqueiras, e eles bastam para tornar verossímil o que quer que nos pareça ser pior do que nós mesmos. Já aquilo que é nobre e elevado só transparece a quem o ama, e esse amor traz imediatamente consigo um sentimento de dever, de obrigação, como no célebre soneto de Rilke em que a perfeição de uma estátua de Apolo transcende a mera contemplação estética e convoca o observador a mudar de vida, a tornar-se melhor. A impressão humilhante de não estar à altura desse apelo produz quase automaticamente uma reação negativa -- o despeito. Negando a existência do melhor, reduzindo-o ao banal ou fazendo dele uma camuflagem enganosa do feio e do desprezível, a alma encontra um alívio momentâneo para o seu orgulho ferido, restaurando uma auto-imagem tranqüilizante à custa de encurtar miseravelmente a medida máxima das possibilidades humanas.

Se esse problema existe em qualquer livro de ficção ou de História, imaginem na Bíblia, onde o personagem central é o próprio Deus. Abrir-se ao chamado da perfeição divina é trabalho para uma vida inteira e mais uns dias, e vem entremeado de inumeráveis derrotas e humilhações -- mas sem isso você não compreenderá uma só palavra da Bíblia. Cem por cento do ateísmo militante consistem em despeito e incapacidade de leitura séria.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Palavra e Serviço na Igreja

Comentário ao Evangelho do dia feito por João Paulo II, Papa entre 1978 e 2005
Marcos 1,40-45 :
Um leproso aproximou-se de Jesus e suplicou-lhe de joelhos: "Se queres, podes limpar-me". Jesus estendeu a mão, tocou-o e lhe disse:"Eu quero, sê curado". E, imediatemente, desapareceu dele a lepra e foi purificado. Jesus o despediu, dizendo-lhe:"Vê que não o digas a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta, pela tua purificação, a oferenda prescrita por Moisés para lhe servir de testeminho". Esse homem, porém, divulgou o acontecido, de modo que Jesus não podia entrar publicamente numa cidade.

Homilia aos jovens

“Jesus estendeu a mão e tocou-lhe”
O gesto afetuoso de Jesus, que Se aproxima dos leprosos, reconfortando-os e curando-os, tem a sua expressão mais plena e misteriosa na Paixão. Supliciado e desfigurado pelo suor de sangue, pela flagelação, pela coroação de espinhos, pela crucifixão, abandonado pela população, que esquecera os benefícios Dele recebidos, na Sua Paixão Jesus identifica-Se com os leprosos, tornando-Se imagem e símbolo deles, como havia intuído o profeta Isaías, ao contemplar o mistério do Servo do Senhor: “Vimo-lo sem aspecto atraente, desprezado e evitado pelos homens, como homem […] diante do qual se tapa o rosto. […] Nós o repudiávamos como um leproso, ferido por Deus e humilhado” (Is 53, 2-4).
Mas é precisamente das chagas do corpo supliciado de Deus e do poder da Sua ressurreição que brotam a vida e a esperança para todos os homens atingidos pelo mal e pela enfermidade.
A Igreja sempre foi fiel à missão de anunciar a palavra de Cristo, unida ao gesto concreto de misericórdia solidária pelos mais humildes, pelos últimos. No decurso dos séculos, houve um crescendo de dedicação, comovente e extraordinária, por quantos eram atingidos pelas doenças humanamente mais repugnantes. A história põe claramente em evidência que os cristãos foram os primeiros a preocupar-se com o problema dos leprosos. O exemplo de Cristo tinha feito escola, e foi fecundo em gestos de solidariedade, de dedicação, de generosidade e de caridade desinteressada.

Na caminhada como consagrados ao serviço de Cristo-Servidor, os diáconos realizam esta passagem da Escritura, pois na atual sociedade existe grande número de pessoas necessitadas. Como aqueles leprosos, muitos são desprezados e esquecidos pelo atual sistema, onde a mídia controlada por uma pequena parcela dominante, divulga apenas o que interessa ao sistema. Cabe a nós, discípulos e missionários, atender a estas pessoas carentes, conforme diz João Paulo II.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Dom Edmilson, novo Bispo de Barretos


Papa nomeia novo bispo de Barretos (Brasil)

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

CIDADE DO VATICANO, 9 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- A Santa Sé informou esta quarta-feira que Bento XVI aceitou a renúncia ao governo pastoral da diocese de Barretos (Brasil), apresentada por Dom Antônio Gaspar, por razões de idade.
Para substituí-lo, o Papa nomeou bispo de Barretos Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist., até o momento abade do Mosteiro «Nossa Senhora de São Bernardo», em São José do Rio Pardo (São Paulo).
Dom Edmilson Amador Caetano nasceu em São Paulo, a 20 de abril de 1960. Estudou Filosofia no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, e Teologia no Instituto Teológico “Pio XI”, também em São Paulo, e no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. Estudou ainda Liturgia no Pontifício Ateneu Santo Anselmo, em Roma.
Ordenado sacerdote no dia 25 de março de 1982, atuou como vigário-paroquial, pároco, capelão, mestre de noviços. Foi ainda diretor da Faculdade de Filosofia e Teologia “Coração de Maria”, pior e abade do Mosteiro «Nossa Senhora de São Bernardo».
Dom Edmilson Caetano irá assumir uma diocese, Barretos, que tem superfície de 8.767 km2, população de 322.052 habitantes, sendo os católicos 254.969, os sacerdotes 37, e os religiosos 99.

Veja abaixo o currículo do bispo eleito:

Sacramentos da Iniciação Cristã
Batismo: 29.06.1960: Paróquia Imaculada Conceição (Bela Vista, São Paulo-SP)
Confirmação: junho de 1961 (Hospital Matarazzo – Bela Vista, São Paulo-SP)
1ª. Eucaristia: 10 de dezembro de 1967: Paróquia Imac. Conceição (Bela Vista , São Paulo-SP)

Vida religiosa
Ingresso ao noviciado: 02.02.1978 (Mosteiro S. Bernardo – São José do Rio Pardo-SP)
Profissão temporária: 15.02.1979 (Mosteiro S. Bernardo – São José do Rio Pardo-SP)
Profissão solene: 25.03.1982 (Mosteiro S. Bernardo – são José do Rio Pardo-SP)
Ministérios de Leitor e Acólito: 15.08.1983 (idem)
Ordenação diaconal: 12.12.1984 (Paróquia N.Sra. das Graças, Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo-SP, bispo ordenante: D. Joel Ivo Catapan SVD, bispo auxiliar)
Ordenação presbiteral: 07.12.1985 (Mosteiro São Bernardo – São José do Rio Pardo-SP, bispo ordenante: D. Tomás Vaquero-bispo diocesano de S.João da Boa Vista)
Eleição abacial: 19.03.1997
Bênção abacial: 04.05.1997

Estudos:
1967: 1ª. Série: Grupo Escolar Rodrigues Alves (Av. Paulista, São Paulo-SP)
1968-1970: 2ª-4ª séries: Grupo Escolar Tito Prates da Fonseca (Vila Nova Cachoeirinha
São Paulo-SP)
1971-1977: 5ª;-8ª.séries, 1º.-3º Colegial: Colégio Estadual Augusto Meirelles Reis Filho
(Imirim – São Paulo-SP)
1979-1981: Curso de Filosofia: Instituto Superior de Filosofia do Mosteiro de São Bento (São Paulo-SP)
1982: 1º. Ano de Teologia – Instituto Teológico Pio XI (São Paulo-SP)
1983-1985: 2º-4º. Anos de Teologia: Escola Teológica da Congregação Beneditina do Brasil – Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro
1987-1989: Biênio de Especialização em Teologia Monástica, no Pontifício Ateneu Santo Anselmo – Roma – Itália

Cargos no mosteiro/ Congregação/ e vida monástica:
1989-1993: Mestre dos professos temporários
1990-1993; 1995-1996; 2001- : Mestre de noviços
1990-1993; dez/1996-março/1997: Prior do Mosteiro
1995-1996: diretor dos oblatos seculares
1997: Abade do mosteiro
1999-2006: Presidente da CIMBRA (Conferência de Intercâmbio Monástico do Brasil)
2005: Membro do Conselho do Abade Presidente da Congregação de São Bernardo da Itália, Ordem Cisterciense

Cargos nas Paróquias e Diocese de São João da Boa Vista
1985-1987; 1989-1990; 1992-1997: Vigário Paroquial da Paróquia São Roque – São José do Rio Pardo-SP
1990-1992: Pároco da Paróquia Cristo Redentor: São José do Rio Pardo-SP
1997-2001: Pároco da Paróquia São Roque – São José do Rio Pardo-SP
1991- : Presbítero de equipes de Catequistas do Caminho Neocatecumenal na diocese de São João da Boa Vista
1986-1987; 1989-1993: Capelão do Hospital S. Vicente – S. J. Rio Pardo-SP
1995-2001; 2004-2007: Membro do Conselho de Presbíteros da diocese de S.J.Boa Vista
1999- Acompanhamento espiritual aos grupos de reflexão sobre a Economia de Comunhão e Movimento Político pela Unidade, do Movimento dos Focolares, em são José do Rio Pardo
2001 - Acompanhamento espiritual das Comunidades da Pastoral Familiar da Paróquia Nossa Senhor das Graças – Vila Nova Cachoeirnha – São Paulo –SP (residência dependente do Mosteiro São Bernardo)
1998-2007: Membro do Colégio de Consultores da Diocese de São João da Boa Vista
1989- : Professor de História da Filosofia Antiga e Medieval no Instituto de Filosofia “Imaculado Coração de Maria”, em São João da Boa Vista
1992-1998: Professor de Espiritualidade no Curso Propedêutico da diocese de São João da Boa Vista, em Caconde-SP
1992-2001: Professor de Patrologia no Instituto de Teologia “Imaculado Coração de Maria” em São João da Boa Vista
1995-1997: Diretor de Estudos filosóficos e teológicos do Seminário Maior Imaculado Coração de Maria, São João da Boa Vista
2004-: Professor de Patrologia no Instituto Teológico Santa Clara de Assis, da comunidade Missionária Providência Santíssima, diocese de São João da Boa Vista, Mococa-SP

Dom Edmilson é abade do Mosteiro N. Sra. de São Bernardo em São José do Rio Pardo-SP. Ele foi o sucessor de D. Orani João Tempesta, que deixou a abadia do mosteiro para ser o bispo de São José do Rio Preto.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Epifania!

Cantiga dos Pastores
Adélia Prado

À meia noite no pasto,
guardando nossas vaquinhas,
um grande clarão no céu
guiou-nos a esta lapinha.
Achamos este Menino
entre Maria e José,
um menino tão formoso,
precisa dizer quem é?
Seu nome santo é Jesus,
Filho de Deus muito amado,
em sua caminha de cocho
dormia bem sossegado.
Adoramos o Menino
nascido em tanta pobreza
e lhe oferecemos presentes
de nossa pobre riqueza:
a nossa manta de pele,
o nosso gorro de lã,
nossa faquinha amolada,
o nosso chá de hortelã.
Os anjos cantavam hinos
cheios de vivas e améns.
A alegria era tão grande
e nós cantamos também:
Que noite bonita é esta
em que a vida fica mansa,
em que tudo vira festa
e o mundo inteiro descansa?
Esta é uma noite encantada,
nunca assim aconteceu,
os galos todos saudando:
O Menino Jesus nasceu!

Muitas vezes as grandes verdades são escritas com palavras simples.
Que neste ano de 2008, nossas atividades pastorais sejam direcionadas de maneira simples e que realmente mude a vida das pessoas mais necessitadas.
Feliz ano de 2008!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A Igreja e os Leigos em 2008

O que a Igreja espera dos leigos para 2008

Homens e mulheres sejam mais ousados no anúncio do Evangelho.

A Igreja sempre contou com a participação dos leigos (as) em sua caminhada pastoral. Sem dúvida, esta presença faz história. O espírito laical se mostrou mais ativo e reconhecido no meio eclesial, pós-Vaticano II. Esta conquista pode ser observada desde as pequenas comunidades, onde hoje, leigos (as) estão cada vez mais engajados, demonstrando um verdadeiro gosto pelas coisas de Deus e buscando, inclusive, formação e aperfeiçoamento nos estudos bíblicos e teológicos.
Esta conquista, que aos poucos vai se solidificando, é bastante favorável para os nossos dias. Mais do que parecer uma afronta ou competição com o próprio clero, como alguns ainda podem pensar a unidade entre clero e leigos no serviço pastoral, como nos orienta a Lumem Gentium, proporciona benefícios para toda a Igreja. Principalmente agora, inspirados pelo documento de Aparecida (V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe, em maio último) em que somos chamados a ser missionários e missionárias de Jesus.
Olhando a realidade com os olhos de Deus Pai, impulsionada pela oferta redentora de Cristo Salvador e aberta à ação do Espírito Santo, a Igreja de Cristo retomou as páginas da história que ela escreve neste continente. Páginas escritas com grande sabedoria e santidade, experimentando luzes e sombras, sofrendo tempos difíceis, com torturas e perseguições, também com as debilidades e compromissos mundanos e incoerências dos seus filhos e filhas. Claro é o reconhecimento de que a maior riqueza é a fé dos seus povos no Deus amor e a tradição católica na vida e na cultura.
Aparecida, então, é sempre mais uma convocação: “A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas e mundiais. Trata-se de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho arraigada em nossa história, a partir de um encontro pessoal e comunitário com o Jesus Cristo, que desperte discípulos missionários. Isto não depende tanto de grandes programas e estruturas, mas de homens e mulheres novos” (DA 11).
Nós, Igreja da América Latina somos convidados a vivenciar em gestos e palavras, testemunhando como autênticos missionários, o sentido primeiro da nossa própria fé. É neste momento que o papel dos leigos (as) torna-se especial para o rosto da Igreja. É preciso que os fiéis leigos, homens e mulheres, sejam mais ousados e criativos em sua ação de anunciar o Evangelho e viver o sublime Amor de Deus em seu cotidiano.
O protagonismo dos leigos (as) deve ser assumido com entusiasmo e garra, pois não resta dúvida que será preciso “arregaçar as mangas” e encarar, com fé e coragem, os desafios que a modernidade nos apresenta. Porém, o devido apoio em suas iniciativas será um importante instrumento para a ação evangelizadora em nosso continente. É isso que esperamos para nossa eclesiologia: uma Igreja com rosto missionário, que aponte para homens e mulheres cada vez mais conscientes de seu papel; criativos e entusiasmados em sua vida como cristãos (as).
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Belo Horizonte

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Forum das Pastorais Sociais e Organismos 1


Caros Irmãos em Cristo-Servidor, que a Paz esteja com vocês!

Fórum das Pastorais Sociais e Organismos

A Comissão Regional de Diáconos Sul 1, tem participado do Fórum das Pastorais Sociais e Organismos. Trata-se de um espaço de reflexão, debate e planejamento, mútuo conhecimento, entrosamento e articulação das coordenações das Pastorais Sociais, organismos, movimentos e entidades do Regional Sul 1 da CNBB.

Este Fórum conta com a presença de um bispo indicado pela presidência do Conselho Episcopal e do secretário-executivo do Regional, o que garante a comunhão e a integração com as diretrizes pastorais do Regional Sul 1.

Quem participa do Fórum?

Além do bispo indicado para o Fórum, que atualmente é Dom Jacyr Francisco Braido (bispo de Santos), o Fórum conta com a participação dos representantes das Pastorais Sociais (Operária, Carcerária, Saúde, Povo de Rua, Fé e Política, Migrantes, Afro, Criança, Menor, Sobriedade, dentre outras...), organismos, entidades e movimentos. As reuniões realizadas nos Fóruns são abertas às coordenações interessadas.

O que o Fórum proporciona aos seus participantes?

Ele não é um organismo nem tem função deliberativa. Proporciona aos seus participantes a oportunidade de planejar as ações propostas pela CNBB Nacional e Regional, promovendo a integração, visando eficácia, coerência e entrosamento nas ações conjuntas.

Visa ainda, ser espaço de estímulo e apoio às ações próprias a cada Pastoral, que poderão repercutir, rapidamente, junto a outras Pastorais, movimentos, entidades e organismos.
Ações comuns ao Regional, como as Semanas Sociais, a Campanha da Fraternidade e a Campanha da Evangelização, mostram a importância de um Fórum de integração das ações para que se obtenham melhores resultados na pastoral.
O apelo de todo o Episcopado por um Brasil que queremos exige que esforços isolados sejam integrados em ações que revelem, claramente, o testemunho e o serviço do regional.

O Diaconato e o Fórum

A atual diretoria da CRD Sul 1, por intermédio do presidente Diácono Pascoal, foi convidada a integrar o Fórum das Pastorais Sociais e Organismos. A vida de serviço do Diácono o insere no contexto do Fórum.
No Documento de Aparecida (DA) item 207, observamos sobre os diáconos: “Sua formação os habilitará a exercer seu ministério com fruto nos campos da evangelização, da vida das comunidades, da liturgia e da ação social, especialmente com os mais necessitados, dando assim testemunho de Cristo servidor ao lado dos enfermos, dos que sofrem, dos migrantes e refugiados, dos excluídos e das vítimas da violência e encarcerados.”
Esta destaque dado pelo DA ao Diácono, evidencia a importância de nossa participação ativa no Fórum, pois ordenados fomos para o Serviço da Palavra e da Caridade.

Como participar?

O Diácono é a expressão do ministério ordenado colocado o mais próximo possível da realidade laical e do protagonismo dos leigos. Com os leigos, que santificam o mundo por suas vidas, os Diáconos, pela presença sacramental e testemunho, ajudam a construir um mundo mais de acordo com o Projeto de Deus (Síntese das Diretrizes para o DP, item 3.4.).
Em sua comunidade paroquial ou diocese, existem pastorais e movimentos que desenvolvem ações sociais. Se possível, converse com seu pároco ou o seu bispo, solicitando sua participação ativa nesses trabalhos.
O Fórum das Pastorais tem se reunido na cidade de São Paulo e no próximo dia 20 de fevereiro de 2008, teremos a primeira reunião do ano, onde serão propostas e debatidas atividades para os eventos sociais do ano. Em breve, comunicaremos aos colegas a Pauta para a próxima reunião, pois estamos participando da Comissão que coordenará os trabalhos do Fórum em 2008.

O site do Regional Sul 1 da CNBB mantém informações que e notícias relativos aos trabalhos desenvolvidos pelo Fórum: http://www.cnbbsul1.org.br/index.php

Brevemente transmitiremos mais detalhes destas atividades.

Que o Cristo-Servidor esteja sempre presente em seu coração,
Fraternalmente
Diácono Franco Abelardo

Padre Julio recebe prêmio! Nossas orações continuam!


O padre Júlio Lancelotti recebeu nesta terça-feira (11), em Brasília, o Prêmio dos Direitos Humanos 2007 oferecido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ele foi contemplado com o prêmio na categoria “Enfrentamento à Pobreza”.

Segundo a secretaria, o prêmio foi um reconhecimento ao trabalho que o padre realiza com moradores de rua e com crianças e adolescentes pobres que têm o vírus da aids.

O prêmio foi entregue cerca de dois meses após Lancelotti denunciar a extorsão de dinheiro que ele sofreu por uma quadrilha. Entre os inquéritos em andamento após as denúncias, um investiga extorsão e enriquecimento ilícito contra o ex-interno da Febem Anderson Batista e o outro investiga corrupção de menor supostamente cometida pelo padre.

O presidente da comissão municipal de direitos humanos de São Paulo, José Gregori, que também foi premiado, fez uma defesa do padre durante a premiação, afirmando que ele tem sido vítima de incompreensões e injúrias.
Padre Júlio foi uma das dez pessoas físicas eleitas pela secretaria para receber o prêmio que foi entregue no Palácio do Planalto. Participaram da cerimônia o ministro Paulo Vannuchi, titular da Secretaria Especial de Direitos Humanos, o vice-presidente José Alencar e outros ministros. Além do padre, entre os premiados pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos estão o ex-secretário Nacional dos Direitos Humanos e ex-ministro da Justiça, José Gregori, e Fábio Konder Comparato, doutor honoris causa da Universidade de Coimbra, doutor em direito pela Universidade de Paris, professor titular aposentado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Lancelotti é Teólogo, pedagogo, doutor honoris causa pela PUC/SP e pároco da Igreja de São Miguel Arcanjo. Há anos o religioso desenvolve trabalho em defesa dos direitos dos moradores de rua e da população carcerária de São Paulo.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Presente na Festa da Imaculada Conceição

Vaticano, na Festa da Imaculada Conceição

Caros Sacerdotes, Diáconos e Catequistas,

A Congregação para o Clero, sempre atenta às necessidades atuais dos Sacerdotes, Diáconos e Catequistas no campo da formação, vem apresentar seus novos recursos de informática, como uma ajuda suplementar ao desempenho de suas tarefas ministeriais e catequéticas.

Além dos temas que, desde a Solenidade de Nossa Mãe Imaculada de 1997, habitualmente estão presentes na rede, no site “clerus.org” (www.clerus.org), resolvemos enriquecer essa biblioteca eletrônica, oferecendo-lhes assim um precioso instrumento para o estudo e a pregação. Será possível também, por e-mail, inscrever-se na base de dados da Congregação, para receber diretamente os documentos produzidos pela Santa Sé em geral e, mais especificamente, os produzidos por nossa Congregação. (http://www.clerus.org/email/email_por.html)

Mas a novidade que tenho o prazer de lhes comunicar é a abertura de um novo site na Internet: “bibliaclerus” (www.bibliaclerus.org), que traz, em formato web, um serviço disponível já há dois anos em CD-Rom, contendo o texto da Bíblia em formato multilíngüe, em hebraico, grego, latim, italiano, espanhol, inglês, francês, alemão e português, enriquecido pela interpretação – versículo a versículo – da Tradição e do Magistério, com antologias teológicas, de espiritualidade e litúrgicas. Nessa Bíblia, encontram-se também as leituras da liturgia diária, com o comentário dos Pontífices.

Os dois sites, www.clerus.org e www.bibliaclerus.org, administrados por nossa Congregação, foram gravados em CDs, já enviados a mais de 140 mil sacerdotes e diáconos dos cinco continentes, na expectativa de que um número ainda maior de pessoas possa tirar proveito do sistema de informática desta Congregação.

Ofereço-lhes de todo o coração este humilde serviço. Com o pedido à Virgem Imaculada de frutos abundantes em seu serviço ministerial e catequético, recebam também o afeto daquele que sempre os lembra e os abençoa no Senhor.

Cláudio Card. Hummes
Prefeito

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Lei 9840 - Voto não tem preço, tem conseqüências!

Recebemos uma carta-convite para participarmos na organização das atividades do Comitê 9840 em São Paulo. Como diáconos que procuram servir à sociedade no que ela necessita, acredito que poderemos desenvolver um trabalho justo no "bom combate" à realidade que é a Corrupção Eleitoral, que ainda perdura em nosso País.

Retransmito a íntegra da Carta:

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) lançou recentemente, a partir de Brasília, para todos os Estados Brasileiros, a campanha Eleições Municipais 2008.

Aqui no Estado de São Paulo, um grupo de entidades e cidadãos reuniu-se na OAB/SP, para acompanhar este lançamento e iniciar o processo de organização do Comitê 9840 – São Paulo com o principal objetivo de garantir a aplicação da Lei 9840, no combate à corrupção eleitoral.

De forma a expandir a rede de Comitês 9840, para que possamos efetivamente exercer a necessária fiscalização do processo eleitoral e difundir o lema conscientizador “Voto não tem preço, tem conseqüências”, estamos convidando entidades e pessoas interessadas para a reunião de organização do Comitê 9840 no Estado de São Paulo.

CONVITE

MOVIMENTO DE COMBATE À CORRUPÇÃO ELEITORAL
COMITE 9840 – SÃO PAULO


Reunião para organização de atividades do Comitê 9840 em São Paulo
Dia 11/12 das 18h00 às 20h00

Local: Sede das Comissões da OAB/SP
Rua Anchieta, 35 – Centro – 9º andar
São Paulo - SP

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Sagração ou Ordenação?

SAGRAÇÃO OU ORDENAÇÃO?
Frei Alberto Beckhäuser, OFM

Esta nota vem a propósito da eleição de confrades para o Episcopado e conseqüente celebração do sacramento da Ordem, a Ordenação. Ordenação é a celebração da Igreja que introduz alguém no Grupo (Ordo) daqueles que são revestidos do Espírito Santo para o serviço messiânico de Cristo à humanidade.

Nesta questão a Sagrada Liturgia reformada pelo Vaticano II, exige uma atualização de linguagem.

Em relação às Ordenações:
O novo Ritual das Ordenações, que pertence ao Pontifical, não usa mais o termo “sagração” episcopal ou “consagração” episcopal. Tanto para o episcopado, como para o presbiterado e o diaconado é usado o termo “ordenação”, ligado ao sacramento da Ordem. O Bispo é Ordenante e não Sagrante, Ordenante principal.

Isso tem sua razão de ser. Até o Vaticano II, que se distinguiu como o Concílio do Episcopado ensinando claramente a sacramentalidade do Bispo, a sacramentalidade específica do Bispo ainda era questão discutida em Teologia. Além disso, o uso do termo sagração ou consagração para o Bispo tem a ver com a coroação e “consagração” dos reis e imperadores. Ao serem coroados, eles eram ungidos. Assim também o Bispo era eleito e ungido príncipe da Igreja. O rito da unção na ordenação do Bispo é de origem tardia.

Ao Bispo é conferido o Espírito principal (o Espírito Soberano) que lhe confere a plenitude do sacerdócio. Ficando bem definido o caráter sacramental do Bispo, o novo Ritual de Ordenação, mudou a terminologia, sendo a mesma para os três graus do Sacramento da Ordem. Por isso também o novo Ritual de Ordenações apresenta primeiro a Ordenação de um Bispo. Em seguida, do Presbítero e, por fim, a de Diácono. Esta terminologia reflete-se também na oração de ação de graças, que se segue à imposição das mãos, que não mais se chama “Oração consecratória”, mas Prece de Ordenação.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Está na Hora de Parar de "Enfeitar" a Missa

APARECIDA, domingo, 2 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).
Ao defender o esmero com as celebrações litúrgicas e a beleza como uma «necessidade vital» que deve permeá-las, a escritora brasileira Adélia Prado afirma que «a missa é como um poema, não suporta enfeite nenhum».
«A missa é a coisa mais absurdamente poética que existe. É o absolutamente novo sempre. É Cristo se encarnando, tendo a sua Paixão, morrendo e ressuscitando. Nós não temos de botar mais nada em cima disso, é só isso», enfatiza.
Poeta e prosadora, uma das mais renomadas escritoras brasileiras da atualidade, Adélia Prado, 71 anos, falou sobre o tema da linguagem poética e linguagem religiosa essa quinta-feira, em Aparecida (São Paulo), no contexto do evento «Vozes da Igreja», um festival musical e cultural.
Ao propor a discussão do resgate da beleza nas celebrações litúrgicas, Adélia Prado reconheceu que essa é uma preocupação que a tem ocupado «há muitos anos». «Como cristã de confissão católica, eu acredito que tenho o dever de não ignorar a questão», disse.
«Olha, gente – comentou com um tom de humor e lamento –, têm algumas celebrações que a gente sai da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar.»
Como um primeiro ponto a ser debatido, Adélia colocou a questão do canto usado na liturgia. Especialmente o canto «que tem um novo significado quanto à participação popular», ele «muitas vezes não ajuda a rezar».
«O canto não é ungido, ele é feito, fazido, fabricado. É indispensável redescobrir o canto oração», disse, citando o padre católico Max Thurian, que, observador no Concílio Vaticano II ainda como calvinista, posteriormente converteu-se ao catolicismo e ordenou-se sacerdote.
Adélia Prado reforçou as observações, enfatizando que «o canto barulhento, com instrumentos ruidosos, os microfones altíssimos, não facilita a oração, mas impede o espaço de silêncio, de serenidade contemplativa».
Segundo a poeta, «a palavra foi inventada para ser calada. É só depois que se cala que a gente ouve. A beleza de uma celebração e de qualquer coisa, a beleza da arte, é puro silêncio e pura audição».
«Nós não encontramos mais em nossas igrejas o espaço do silêncio. Eu estou falando da minha experiência, queira Deus que não seja essa a experiência aqui», comentou.
«Parece que há um horror ao vazio. Não se pode parar um minuto». «Não há silêncio. Não havendo silêncio, não há audição. Eu não ouço a palavra, porque eu não ouço o mistério, e eu estou celebrando o mistério», disse.
Adélia Prado fez então críticas a interpretações equivocadas que se fizeram do Concílio Vaticano II na questão da reforma litúrgica.
«Não é o fato de ter passado do latim para a língua vernácula, no nosso caso o português, não é isso. Mas é que nessa passagem houve um barateamento. Nós barateamos a linguagem e o culto ficou empobrecido daquilo que é a sua própria natureza, que é a beleza.»
«A liturgia celebra o quê?» – questionou –. «O mistério. E que mistério é esse? É o mistério de uma criatura que reverencia e se prostra diante do Criador. É o humano diante do divino. Não há como colocar esse procedimento num nível de coisas banais ou comuns.»
Segundo Adélia, o erro está na suposição de que, para aproximar o povo de Deus, deve-se falar a linguagem do povo.
«Mas o que é a linguagem do povo? É aí que mora o equívoco», – disse –. «Não há ninguém que se acerca com maior reverência do mistério de Deus do que o próprio povo».
«O próprio povo é aquele que mais tem reverência pelo sagrado e pelo mistério», enfatizou.
«Como é que eu posso oferecer a esse povo uma música sem unção, orações fabricadas, que a gente vê tão multiplicadas e colocadas nos bancos das igrejas, e que nada têm a ver com essa magnitude que é o homem, humano, pecador, aproximar-se do mistério.»
Segundo a escritora brasileira, barateou-se o espaço do sagrado e da liturgia «com letras feias, com músicas feias, comportamentos vulgares na igreja».
«E está tão banalizado isso tudo nas nossas igrejas que até o modo de falar de Deus a gente mudou. Fala-se o “Chefão”, “Aquele lá de cima”, o “Paizão”, o “Companheirão”.»
«Deus não é um “Companheirão”, ele não é um “Paizão”, ele não é um “Chefão”. Eu estou falando de outra coisa. Então há a necessidade de uma linguagem diferente, para que o povo de Deus possa realmente experimentar ou buscar aquilo que a Palavra está anunciando», afirmou.
Para Adélia Prado, «linguagem religiosa é linguagem da criatura reconhecendo que é criatura, que Deus não é manipulável, e que eu dependo dele para mover a minha mão».
Com esse espírito, enfatizou, «nossa Igreja pode criar naturalmente ritos e comportamentos, cantos absolutamente maravilhosos, porque verdadeiros».
Ao destacar que a missa é como um poema e que não suporta enfeites, Adélia Prado afirmou que a celebração da Eucaristia «é perfeita» na sua simplicidade.
«Nós colocamos enfeites, cartazes para todo lado, procissão disso, procissão daquilo, procissão do ofertório, procissão da Bíblia, palmas para Jesus. São coisas que vão quebrando o ritmo. E a missa tem um ritmo, é a liturgia da Palavra, as ofertas, a consagração… então ela é inteirinha.»
«A arte a gente não entende. Fé a gente não entende. É algo dirigido à terceira margem da alma, ao sentimento, à sensibilidade. Não precisa inventar nada, nada, nada», disse Adélia.
E encerrou declamando um poema seu, cujo um fragmento diz:
Ninguém vê o cordeiro degolado na mesa,
o sangue sobre as toalhas,
seu lancinante grito,
ninguém”.


Muitas vezes em nossas comunidades celebra-se de tudo, menos o verdadeiro sentido sacrificial da Santa Missa. Acordemos!